Quando a alma deseja

A PALAVRA SÓ É LIVRE QUANDO FLUI PARA DENTRO DA MENTE, DO CORAÇÃO E DA
ALMA SEM RANCORES, DISTORÇÕES E FALSIDADES.

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.

Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito.

Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos.

Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade.

Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração.

Mas, depois de muita análise e observação, se você vir que algo concorda com a razão

e conduz ao bem e ao beneficio de todos, aceite-o e viva-o."

Sidarta Gautama (Buda)


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A arte massacrada.

Amigos e amigas.
Estou certo de que vocês nunca ouviram falar de Arno Brekker.
Ele foi, talvez, o maior artista alemão (escultor por excelência) do século XX. Sua obra foi tão extensa quanto impressionantemente bela. Sua maior infelicidade foi ter sido o artista preferido de Hitler.
Assim como aconteceu com o músico clássico Richard Wagner (autor da magistral ópera "O Anel dos Nibelungos" e outro preferido do Führer), Brekker foi 'excomungado' da história pelos vencedores da guerra apenas por ter sido o artista mais identificado com o 3º Reich.
Logo após a 2ª guerra, como em tantos outros casos, a derrota de 1945 trouxe a Breker o começo de uma larga etapa de terrível repressão. Seu atelier foi assaltado, poucos meses depois de acabada a guerra, por tropas americanas.
Suas esculturas e suas enormes instalações (que estavam intactas) junto à enorme quantidade de obras armazenadas ou em construção, foram apanhadas em grandes montes para fora do atelier e totalmente destruídas.
Desde então, passaram-se 35 anos (A entrevista abaixo é de 1990). Há 35 anos, o boicote a Breker tem sido total, durante os que o Estado alemão impediu qualquer cargo que pudesse exercer, durante os que receberam ataques da imprensa e televisão e durante os que o silêncio sobre sua obra foi interrompido.
Para se fazer um pouco de justiça, peço-lhes que leiam uma entrevista dada pelo artista pouco tempo antes de falecer. Nela, vocês verão muitas coisas que a "história oficial" esconde. Como sempre.
Boa leitura.
FAB29

Entrevista

Javier Nicolás: Você manteve contato com Adolf Hitler?

Arno Breker: Sim, eu o conheci pessoalmente.

Javier Nicolás: Por que ele decidiu visitar a Paris junto consigo?

Arno Breker: Eu lhe explico o motivo, conforme suas próprias palavras: "Quero visitar Paris consigo, porque você é o único, entre todos os que me rodeiam, que viveu vários anos nela". Sua visita a Paris teve como meta principal trazer idéias de novas construções e todo seu urbanismo, porque Hitler desejava transformar Berlim por completo.

Javier Nicolás: É verdade que Hitler sentia profunda admiração pela arquitetura francesa?

Arno Breker: Certamente. Escute: não tenho idéia alguma de suas opiniões acerca da arte, porque nossas relações pessoais não eram muito próximas e ele devia pensar mais na guerra e em toda espécie de dificuldades políticas. Mas, depois de sua visita a Paris e inclusive durante ela, me sentei atrás de si e o vi observar a Paris, como se a conhecesse minuciosamente. Graças aos livros e aos mapas, conhecia Paris melhor do que eu. Eu havia me equivocado e ele me dizia: "Escute, você está se equivocando...". "Eu não sou parisiense, mas não posso me equivocar", eu lhe respondia. E paramos diante de um edifício que havia escrito na parte de cima: Câmara de Comércio. Como ele havia dito que se tratava da Cúpula da Câmara de Comércio, este título me indicou: "Leia isto!".

Javier Nicolás: Qual foi a impressão de Hitler sobre o urbanismo da grande cidade de Paris?


Arno Breker: Ele se emocionou bastante diante da beleza da arquitetura parisiense e do urbanismo dos Campos Elíseos, do Arco do Triunfo, da Torre Eiffel, etc. Duas horas depois, Paris despertava; não podíamos atravessar Les Halles, quando vieram as primeiras pessoas ao nosso encontro. O primeiro homem que vimos foi um vendedor de jornais. Ele os levava sob os braços e gritava, dirigindo-se a nós: "Le Matin! Le Matin!". Quando reconheceu Hitler ao lado do chofer, ficou em pânico: tirou todos os periódicos ao chão e se escondeu em uma casa. Instantes depois, vimos três mulheres que falavam juntas e pelo fato do carro andar lentamente, voltaram-se para nós exclamando: "Olha, veja! É ele! O pai Adolf!". 

Parte da população mostrava grande admiração, mesmo que a outra sentisse calafrios ao vê-lo. O povo francês estava dividido.
A última visita foi ao Sacre Coeur, para contemplar o panorama. Depois desta visita, voltamos ao avião e ele retornou ao seu trabalho. Pela tarde, antes de jantar, saiu de seu refúgio, de seu Bunker. Todos os generais estavam ali, mas ele me viu entre eles todos. Fez um sinal para mim. Fui até ele e dirigimo-nos juntos para um bosque vizinho. Quando nos encontramos suficientemente próximos, parou e colocou minha mão direita entre as suas, dizendo-me: "Breker, queira me desculpar, porque durante vários anos eu não o vi com bons olhos, devido à falsa informação que tinha de sua pessoa. Agora sei quem você é".

Javier Nicolás: Qual foi a impressão geral de Hitler em relação à sua visita a Paris?

Arno Breker: Ficou muito impressionado. Depois me disse: "Disse a Bormann que todos os arquitetos tenham recebido pedidos de Berlim, Munique, etc., e que devem voltar a se empenhar em seus trabalhos, porque sua arquitetura é demasiado pesada - sem graça. Hoje aprendi muito em Paris". E completou: "Teria podido baixar pelos Campos Elíseios em frente de minhas tropas, mas não quis ferir a alma do povo francês. Eu a vi com meus artistas, tal como uma incógnita". Sua conduta foi sensacional e isto mostra a nobreza de um homem. Em relação aos mortos, permaneceu comovido diante da tumba de Napoleão, e se lhe ocorreu a idéia de colocar a seu filho, que descansa em Viena, ao lado do pai. Você não acha isto formidável? Mas nunca recebeu uma só palavra de agradecimento por parte da França.

Paris, 1940, tomada pelos "bárbaros" alemães


Berlim, 1945, "libertada" pelos "anjos democráticos"

Javier Nicolás: Ele não voltou a Paris?

Arno Breker: Não. Foi a única vez que a visitou. E você sabe por que? Não creio no que dizem, que Hitler desejava queimá-la. Isto jamais ocorreria. Nunca teria admirado-a desta forma. São apenas invenções dos vencedores, com o intuito de destruir sua imagem.

Javier Nicolás: Fez algum comentário sobre o resultado de uma guerra no próprio coração de Paris?

Arno Breker: Certamente. Ele disse: “Está morta para sempre”. Para ele, Paris representava o símbolo e o apogeu da cultura. Seu sonho era alcançar a mesma qualidade nas cidades alemãs. Por isso, devia estudar a arquitetura e o urbanismo parisiense, tal como Haussman o fez.

Javier Nicolás: Havia algum plano similar para Berlim?

Arno Breker: Sim. Mas seu plano para Berlim, pelo que eu conhecia, era bastante baseado em Paris. E estou certo de que antes de sua visita a Paris, ele já o tinha em mente.

Javier Nicolás: Depois da visita a Paris, você continuou em contato com ele?

Arno Breker: Sim, freqüentemente na Chancelaria. Ali, eu almoçava. Comia com ele. Assim foi sempre, durante a guerra, e os generais tratavam do papel principal: vinham da Frente e lhe explicavam a situação do momento.

Javier Nicolás: Você acredita que ele desejava a guerra?

Arno Breker: Não. A guerra destruiu seus planos. Ele não queria declarar guerra à França. Seus exércitos não marcharam contra a França, até que não houve mais remédio. Permaneceram quase um ano retidos, de agosto de 1939 até quando teve de avançar, com a declaração de guerra do governo francês. Hitler sempre acreditou que uma guerra seria inútil, justamente porque ele não queria absolutamente nada da França. Havia renunciado a Alsácia e Lorena, solenemente. Mas hoje, toda interpretação história se encontra às avessas.

Javier Nicolás: Uma vez superadas as dificuldades econômicas e sociais, o que ele desejou para seu país?

Arno Breker: Este homem, segundo escutei em diversos discursos e ocasiões, temia e desconfiava do comunismo. Para ele, a fronteira do Leste estava demasiado próxima de Berlim. Se a União Soviética empenhasse um ataque que tivesse lugar ali, como se demonstrou mais tarde, seria impossível barrá-los e Berlim tombaria. Por isto, ele preparava a Frente.

Javier Nicolás: Você acredita que a guerra com a Polônia foi dirigida pelos governos da França e da Inglaterra?

Arno Breker: Certamente. Não quero dizer que seja necessariamente assim, mas Hitler esperava ter a Polônia como uma nação amiga, que deixaria passar as tropas alemãs até a fronteira da União Soviética. Nesta época, de todas as formas, o plano de destruir a Alemanha já se encontrava nos dossiês.

Javier Nicolás: Você poderia nos dar sua opinião sobre as intenções de Hitler na Alemanha, se a guerra não tivesse sido desencadeada?

Arno Breker: Hitler encontrou uma nação completamente arruinada por causa da situação econômica mundial - esta era a situação mais terrível da Alemanha. Por exemplo, quando atravessei ao Ruhr, centro da grande Indústria, a principios dos anos 30, recordo que nenhuma indústria funcionava. Em uma situação que voltei a ver depois da guerra, com a derrota alemã em 1945. Logo, o que este homem fez constitui-se de um verdadeiro milagre, conseguindo fazer com que o povo se fortalecesse e voltasse a viver alegre e de modo ordenado.
 

Javier Nicolás: Hitler era popular?

Arno Breker: Completamente. Se hoje uma mulher passa pela calada da noite, se encontra em perigo, mas naquela época, todos os criminosos se ocupavam trabalhando. Todos foram corrigidos e a Alemanha se converteu em um paraíso. Uma mulher podia andar completamente só pelos passeios e bosques, sem nenhum risco de ser atacada.

Javier Nicolás: Professor Breker, quando a guerra acabou, soubemos que o General Franco lhe chamou para que fosse à Espanha, provavelmente para fazer "O Vale dos Caídos", que Juan de Avalos realizaria. O que há de correto nisto? E por que você não foi?


Arno Breker: Correto. O General Franco me chamou para fazer uma série de esculturas, por mais que não tivesse especificado sobre o que se tratava o Vale dos Caídos. Mesmo assim, eu deveria realizar obras em escultura.

Não fui à Espanha porque os americanos não permitiram, deixando-me retiro na Alemanha. Se não fosse por isto, eu teria estado.

Javier Nicolás: É verdade que os russos lhe fizeram uma oferta similar?


Arno Breker: Sim. Pouco depois que Franco o fez. Stalin pessoalmente enviou um avião de Moscou para realizar trabalhos de escultura. Naturalmente, eu neguei. Ademais, isto coincidiu com uma enfermidade que me obrigou a permanecer em um hospital. Nesta ocasião, os americanos permitiram, mas eu não o quis. 

Em outra ocasião, também recebi uma proposta de fazer trabalhos ao General Perón, mas desta vez, do mesmo modo ocorrido com Franco, fui vetado pelos americanos que não me deixaram ir.


(Depoimentos como este deveriam ser mais divulgados. Não as tantas falcatruas que vemos, lemos e ouvimos por aí.)

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