Quando a alma deseja

A PALAVRA SÓ É LIVRE QUANDO FLUI PARA DENTRO DA MENTE, DO CORAÇÃO E DA
ALMA SEM RANCORES, DISTORÇÕES E FALSIDADES.

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.

Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito.

Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos.

Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade.

Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração.

Mas, depois de muita análise e observação, se você vir que algo concorda com a razão

e conduz ao bem e ao beneficio de todos, aceite-o e viva-o."

Sidarta Gautama (Buda)


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Importâncias


Amigos e amigas.
Sempre que o assunto ‘profissão’ vem à baila, um detalhe se destaca: uma covardia contra as profissões mais simplórias, como faxineiro, lixeiro e servente. A coisa é tão acachapante que até os filhos desses profissionais se sentem intimidados na presença de filhos de outros profissionais, como médico, empresário e advogado, tendo até vergonha de dizer a profissão do pai ou da mãe.

Um dia, numa sala de aula de 5ª série, esse assunto surgiu entre os alunos e apareceu uma picuinha onde diminuíam quem era filho de faxineiro. Então, eu propus um raciocínio pra eles refletirem. Começou com uma pergunta:

“Quais são as três profissões mais importantes pra você?”

Venceram, pela ordem: médico, professor e policial. Peguei a campeã (médico) e perguntei: “Quantas vezes POR ANO um faxineiro precisa dos serviços de um médico?”. Logicamente, ninguém soube precisar. Ficou no “depende de vários fatores”, mas todos convergiram para uma palavra: numa emergência. Então, perguntei-lhes: “Quantas vezes POR DIA o médico precisa dos serviços de um faxineiro?”. Concluíram que era, no mínimo, uma vez por dia, chova ou faça sol.

Então, lhes falei quais eram as três profissões no mesmo nível de importância para mim:

- Professor: a todo momento, estamos aprendendo ou ensinando alguma coisa a alguém;
- Produtor rural: temos de nos alimentar todos os dias (e tudo o que consumimos vem da terra);
- Faxineiro: todos os dias, nós precisamos, no mínimo, nos limpar (portanto, somos faxineiros de nós mesmos).

Frisei-lhes que são profissões primárias porque TODOS nós dependemos delas DIARIAMENTE. Um certo mal estar surgiu quando falei que médico, policial e bombeiro são profissionais “secundários” (frisei as aspas) porque podemos passar meses a fio ou até a vida inteira sem precisar dos seus serviços (que, convenhamos, é o desejo de todos). Eles só são primários nas já citadas emergências. Disse-lhes que eu nunca precisei dos serviços dos bombeiros, mas sou dos primeiros a aplaudi-los e exigir a presença deles nas cidades, sempre bem preparados e bem remunerados. Afinal, pra muitos deles sofrerem ou perderem a vida em serviço é a coisa mais comum.

Resumindo, deixei claro a eles que NUNCA se deve diminuir ou desmerecer qualquer profissão. Finalizei assim: “Todos aqui devem não gostar de baratas, mas elas são muito importantes nas cadeias alimentar e produtiva da Terra. Se fossem extintas, a mudança na Natureza seria tão brutal que a própria humanidade sofreria horrores. Sem comparar lixeiros, faxineiros e serventes a baratas, mas sem eles, a humanidade não sofreria horrores, também?” Creio ter conseguido um bom resultado, visto que nunca mais se ouviu na escola piadinhas desse desnível.

É bem conhecida a história de um psicólogo renomado de uma grande empresa que se disfarçou de faxineiro e ficou um mês trabalhando nela assim. Todos os dias, seus colegas (que não sabiam dessa experiência) passavam por ele pelos corredores e nunca o identificaram. Com isso, ele provou que esses e outros profissionais básicos são “invisíveis”, se tornando “parte da mobília ou do prédio”, sendo solenemente ignorados pela maioria.

Conheço muitos que tem essa soberba à flor da pele e fazem questão de a usarem sempre que acham necessário “colocar o indivíduo no seu devido lugar”, como se eles fossem um mínimo melhores. Só essa atitude já os colocam num nível tão baixo que os tornam patéticos e execráveis. A melhor coisa a fazer com tipinhos nocivos como esses é isolá-los e desprezá-los, evitando contaminação ou qualquer mal estar que eles possam causar em nossas vidas. Infelizmente, eu tive de aprender a manter esse 'botão do desprezo' em "stand by" pra não dar espaço a esses tipinhos. Estou constantemente deletando-os.

Praticar e exigir humildade é obrigação de todos.
FAB29

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