Quando a alma deseja

A PALAVRA SÓ É LIVRE QUANDO FLUI PARA DENTRO DA MENTE, DO CORAÇÃO E DA
ALMA SEM RANCORES, DISTORÇÕES E FALSIDADES.

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.

Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito.

Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos.

Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade.

Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração.

Mas, depois de muita análise e observação, se você vir que algo concorda com a razão

e conduz ao bem e ao beneficio de todos, aceite-o e viva-o."

Sidarta Gautama (Buda)


segunda-feira, 4 de junho de 2012

O gigante Owens

Amigos e amigas.
Todo ano olímpico é isso: rememoração (mais do que merecida) dos maiores mitos das Olimpíadas. Provavelmente o mais emblemático de todos seja o monumental Jesse Owens. Este super atleta foi classificado para participar de quatro provas na Olimpíada de 1936, em Berlim. Lá, maravilhou o mundo ao conseguir quatro medalhas de ouro, com três recordes mundiais. É dito que seus feitos fizeram Hitler abandonar furioso o estádio e que ele, ao retornar aos EUA, foi recebido com honras de herói.

Linda historinha! Tudo muito bom, muito bem, mas... aí vêm uns adendos, corrigindo e/ou acrescentando detalhes de que o status quo não gosta nem um pouco. Vejam que interessante:


1º- Os feitos de Owens e suas impressões foram registrados nos jornais da época. Veja esta do Correio do Povo, após sua vitória nos 100 metros rasos em 03/08/1936:

difícil imaginar como me sinto feliz. Pareceu-me de um momento para outro que, quando corria, possuía asas. Todo o estádio apresentava um aspecto tão festivo que me contagiei e foi com mais alegria que corri, parecendo que havia perdido o peso do meu corpo. O entusiasmo esportivo dos espectadores alemães me causou profunda impressão, especialmente a atitude cavalheiresca da assistência. Podem dizer a todos que agradecemos a hospitalidade germânica. (Jornal Correio do Povo, de 04/08/36).

Owens e seu grande amigo ariano Lutz Long
2º- Owens ficou tão popular durante a olimpíada que precisou "pedir ajuda" a um colega, Herb Fleming, que era muito confundido com ele, para atender às centenas de pedidos de autógrafos diariamente feitos a ele pela população berlinense que se amontoava nas imediações da vila olímpica. Finda a Olimpíada, o governo alemão proporcionou a Jesse Owens e mais alguns atletas americanos uma exibição na cidade de Colônia.

Owens sobrevivendo nos democráticos EUA
3º- Ao retornar aos EUA, sentiu na pele todo o desprezo que sempre sentira em seu país. Ele mesmo conta em sua autobiografia, de 1970:

"Quando eu voltei para minha terra natal, apesar de todas as histórias sobre Hitler, eu não podia entrar no ônibus pela porta da frente e também não podia morar no lugar que eu queria. Eu não fui convidado a apertar as mãos de Hitler, mas também não fui à Casa Branca para apertar as mãos do presidente do meu país."

E mais à frente:
“Quando voltei dos Jogos Olímpicos com minhas quatro medalhas, todas as pessoas batiam em minhas costas me cumprimentavam e queriam apertar minhas mãos. Mas ninguém veio me oferecer um emprego."

E ainda, mais esta observação:
"Quando eu passei pelo Chanceler (Hitler), ele se levantou, acenou para mim e eu acenei de volta. Eu acho que os escritores mostraram má vontade ao criticar o homem da vez da Alemanha".

Só pra finalizar: apesar de todas as suas proezas olímpicas, realizadas aos 23 ANOS (auge de sua forma atlética), Jesse Owens NUNCA MAIS COMPETIU após 1936! Para sobreviver e ajudar a sustentar a família, abandonou os estudos no último ano porque negros não podiam receber ajuda de custo e aceitou competir em exibições contra qualquer pessoa, animal (cachorro, cavalo) e, até, motocicletas. Também aceitou discursar em qualquer evento a que fosse convidado. Por vários anos, trabalhou como REGENTE DE FANFARRA.

Na nefasta e hipócrita mistura de propaganda de guerra e preconceito, um mito da Humanidade é constantemente manipulado para servir a interesses pra lá de sórdidos, sendo o maior deles ESCONDER AS PRÓPRIAS CULPAS E CANALHICES.

Esta é a "maior" herança das guerras: A HIPOCRISIA! Não existem mocinhos nelas! Ao fim de qualquer uma, sobram apenas sofrimentos, escombros e vencidos. Os que podem ser considerados "vencedores" (parasitas) NUNCA participam das guerras que fomentam: os SUPER CAPITALISTAS, a quem a paz não gera lucros. Por isso, eles financiam os dois lados para depois, "oferecer ajuda para a reconstrução". Tão simples quanto inominavelmente cruel!

Que bom seria se, ao menos, pudéssemos conhecer melhor as biografias de atletas iluminados como (além de Owens) Jim Thorpe e Joe Louis (outros dois exemplos de injustiçados pelo racismo estadunidense), para servir de exemplo de vida, de superação e amor ao próximo baseados na limpeza em todos os sentidos. Ao invés disso, somos bombardeados com 'historinhas' manipuladas de atletas sob constantes e totais suspeitas de doping, como Florence Griffith-Joyner, Lance Armstrong, Michael Phelps e as irmãs Williams.

Sem dúvida, Drummond estava corretíssimo:
"Mundo, mundo, vasto mundo!
Se eu me chamasse 'Raimundo',
seria uma rima, não uma solução!
Mundo, mundo, vasto mundo!
Mais vasto é meu coração!"

FAB29