Quando a alma deseja

A PALAVRA SÓ É LIVRE QUANDO FLUI PARA DENTRO DA MENTE, DO CORAÇÃO E DA
ALMA SEM RANCORES, DISTORÇÕES E FALSIDADES.

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.

Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito.

Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos.

Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade.

Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração.

Mas, depois de muita análise e observação, se você vir que algo concorda com a razão

e conduz ao bem e ao beneficio de todos, aceite-o e viva-o."

Sidarta Gautama (Buda)


segunda-feira, 11 de março de 2013

O maior dos lobbys

Amigos e amigas.
Seguem abaixo alguns trechos do livro "O lobby de Israel", dos professores John Mearsheimer e Stephen Walt.
Conheço esse assunto há décadas, através de 'N' notícias, artigos, conversas, etc. Mas esse livro foi mais a fundo: especificou, quantificou e demonstrou o quanto e como esse lobby funciona.
Complexamente simples.
FAB29

"Desde a Guerra de Outubro, em 1973, Washington deu a Israel um nível de apoio imensamente maior do que a qualquer outro Estado. Israel foi o maior receptor anual de assistência direta, econômica e militar, desde 1976, e é o maior receptor no total desde a Segunda Guerra Mundial, no montante de bem mais de US$ 140 bilhões (em dólares de 2004). Israel recebe por ano cerca de US$ 3 bilhões em assistência direta, aproximadamente um quinto do orçamento de ajuda externa, e cerca de US$ 500 por ano para cada israelense. Essa prodigalidade é chocante em particular porque Israel é hoje um Estado industrial rico com uma renda per capita mais ou menos igual à da Coréia do Sul ou à da Espanha. Outros países que recebem ajuda americana obtêm o dinheiro em prestações quadrimestrais, mas Israel recebe sua dotação inteira no início de cada ano fiscal e pode portanto ganhar juros sobre ela. A maioria dos que recebem ajuda para propósitos militares deve gastá-la toda nos Estados Unidos, mas Israel é autorizado a usar cerca de 25% de sua dotação para subsidiar sua própria indústria de defesa. É o único país a receber ajuda americana que não precisa explicar como o dinheiro é gasto, o que torna virtualmente impossível evitar que ele seja usado para propósitos aos quais os Estados Unidos se opõem, como construir assentamentos na Cisjordânia. Além disso, os Estados Unidos forneceram a Israel quase US$ 3 bilhões para o desenvolvimento de sistemas de armamentos, e deram ao país acesso a artefatos avançados como helicópteros Blackhawk e jatos F-16. Finalmente, os Estados Unidos dão a Israel acesso a informações que negam a seus aliados da Otan, e fecharam os olhos para a aquisição por Israel de armas nucleares.

Washington também dá a Israel um apoio diplomático permanente. Desde 1982, os Estados Unidos vetaram 32 resoluções do Conselho de Segurança da ONU críticas a Israel, mais do que o número total de vetos de todos os outros membros do Conselho de Segurança. Eles obstruem os esforços de Estados árabes para incluir o arsenal nuclear de Israel na agenda da AIEA. Os Estados Unidos socorrem Israel em tempo de guerra e tomam seu partido quando negociam a paz. O governo Nixon protegeu Israel da ameaça de intervenção soviética e o reabasteceu durante a Guerra de Outubro. Washington se envolveu profundamente nas negociações que terminaram aquela guerra, assim como no demorado processo "passo a passo" que se seguiu, além de ter cumprido um papel decisivo nas negociações que antecederam e se seguiram aos Acordos de Oslo de 1993. Em todos os casos houve sempre atritos ocasionais entre representantes dos Estados Unidos e de Israel, mas os Estados Unidos sempre apoiaram a posição israelense. Um dos participantes americanos em Camp David em 2000 disse depois: "Com demasiada freqüência, nós funcionamos [...] como advogados de Israel". Por fim, a ambição do governo Bush de transformar o Oriente Médio tem como objetivo, pelo menos em parte, melhorar a situação estratégica de Israel. (...)

Desde a década de 1990, e ainda mais depois do 11 de Setembro, o apoio americano foi justificado pela afirmação de que os dois Estados são ameaçados por grupos terroristas que têm origem no mundo árabe e muçulmano, e por rogue states ("estados patifes" ou "vis") que sustentam esses grupos e procuram obter armas de destruição em massa. Considera-se que isso significa não só que Washington deve dar a Israel liberdade para lidar com os palestinos e não pressioná-lo a fazer concessões até que todos os terroristas palestinos estejam presos ou mortos, mas também que os Estados Unidos devem perseguir países como o Irã e a Síria. Israel é visto, portanto, como um aliado decisivo na guerra contra o terror, porque seus inimigos são inimigos dos Estados Unidos. De fato, Israel é um fardo na guerra contra o terror e no esforço mais amplo de lidar com "Estados patifes". O "terrorismo" não é um adversário único, mas uma tática empregada por um amplo conjunto de grupos políticos. As organizações terroristas que ameaçam Israel não ameaçam os Estados Unidos, a não ser quando estes intervêm contra elas (como no Líbano em 1982). Além disso, o terrorismo palestino não é uma violência aleatória dirigida contra Israel ou "o Ocidente"; é basicamente uma resposta à prolongada campanha de Israel para colonizar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

E o mais importante: dizer que Israel e os Estados Unidos estão unidos por uma ameaça terrorista comum inverte a relação causal: os Estados Unidos têm um problema terrorista em boa parte porque estão intimamente aliados a Israel, e não o contrário. O apoio a Israel não é a única fonte do terrorismo antiamericano, mas é uma fonte importante, que torna mais difícil vencer a guerra contra o terror. Não há dúvida de que muitos líderes da Al-Qaeda, entre eles Osama bin Laden, são motivados pela presença de Israel em Jerusalém e pela difícil situação dos palestinos. O apoio incondicional a Israel torna mais fácil aos extremistas obter apoio popular e atrair recrutas.