Quando a alma deseja

A PALAVRA SÓ É LIVRE QUANDO FLUI PARA DENTRO DA MENTE, DO CORAÇÃO E DA
ALMA SEM RANCORES, DISTORÇÕES E FALSIDADES.

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.

Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito.

Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos.

Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade.

Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração.

Mas, depois de muita análise e observação, se você vir que algo concorda com a razão

e conduz ao bem e ao beneficio de todos, aceite-o e viva-o."

Sidarta Gautama (Buda)


terça-feira, 19 de março de 2013

Massacres

Amigos e amigas.
Calma! Apesar do título antecipar uma hecatombe, não vou me estender a tantas que ocorreram na História. Pretendo mostrar-lhes "apenas" um resumo de duas de um mesmo povo, o palestino. Uma é a NAKBA; a outra, o massacre de DEIR YASSIN.

Apesar de não terem sido massacres onde houve milhares de mortes, duas coisas doem nesses dois acontecimentos: as deportações e mortes de tantos inocentes e a omissão ou, até, negação dos ocorridos. Mas o que mais me choca é o brutal desprezo pela vida por parte dos agressores em seus atos. É inconcebível! E não basta a covardia extrema chamada 'guerra'; ainda põem 'panos quentes' nas consequências, eufemizam a desgraça, invertem culpas e chegam ao cúmulo de até glamourizar em filmes ou documentários, tentando enaltecer a justiça, destacar seus sacrifícios, justificar tanta crueldade, tudo para preservarem uma imagem de pessoas ilibadas, que têm suas razões para terem agido daquela forma.

Por ser algo que persiste até hoje, devo ajudar a relembrá-los.
FAB29

A NAKBA

Entre dezembro de 1947 e dezembro de 1950, cerca de 530 cidades e vilarejos palestinos foram destruídos com tratores de esteira e explosivos, e eliminados do mapa. A metade dos palestinos vivenciou esta limpeza étnica através dos grupos de luta sionistas clandestinos, antes mesmo da formação do Estado de Israel.

Os vândalos sionistas saqueadores assassinaram pessoas inocentes, destruíram milhares de residências, aplainaram centenas de vilarejos e expulsaram a maior parte dos palestinos de sua Pátria de origem. Os palestinos denominam esta deportação como Nakba, ou "a grande catástrofe".

O Parlamento Knesset israelense aprovou uma série de leis, as quais contrariam totalmente o Direito Internacional, para assegurar que não seja permitido a qualquer refugiado palestino retornar e que seu país possa ser confiscado por Israel. Esta limpeza de 75 a 80% da população não-judaica da região, que depois tornar-se-ia Israel, foi assim consolidada.(...)

O fundador do Estado de Israel e Primeiro-Ministro David Ben-Gurion disse:
“Tem que estar claro que não há lugar nesta terra para ambos os povos. Se os árabes desaparecerem, então a terra está aberta e será grande o suficiente para nós. A única solução é um país para Israel, pelo menos a parte ocidental de Israel, completamente sem árabes. Não há lugar para compromissos. Só existe uma solução, deportar todos os árabes para os países vizinhos, todos devem ir embora, menos alguns em Belém, Nazaré e velha Jerusalém. Nenhum vilarejo pode permanecer de pé, nenhuma cidade. A transferência tem que ser direta para o Iraque, para a Síria e até mesmo para a Jordânia. Para este objetivo, nós temos que arranjar meios suficientes. E somente após esta retirada, a terra estará em condições de receber os muitos milhões de nossos irmãos, e não existirá mais o problema judaico. Não existe outra solução”.
O mito do país deserto



A deportação necessária da população nativa árabe na Palestina colocou os sionistas diante de um problema. Eles deveriam espalhar o mito que de fato não existia ninguém na Palestina. Para possibilitar esta desinformação, os sionistas inventaram um lema para motivar os judeus europeus a emigrarem para a Palestina: Uma terra sem povo para um povo sem terra”. Como se a “Terra Prometida” tivesse esperado por eles 2.000 anos sem população. Uma absurda imaginação.

David Ben Gurion explicou que, no ano de 1914, somente 12% da totalidade da população palestina era constituída por judeus. E ainda mais que a maioria dos judeus na Palestina não era sionista e não queria um Estado próprio, eles nem eram cidadãos do país, pois haviam fugido recentemente da Rússia czarista.

Como mostra o recenseamento do Império Otomano, ao qual pertencia a Palestina, o país era bem povoado, especialmente as terras com próspera atividade agrária. No ano 1914, a população da Palestina era composta de 657.000 árabes muçulmanos, 81.000 árabes cristãos e 59.000 judeus, inclusive os recém chegados judeus europeus da primeira e segunda Aliá. Sendo assim, em 1914, a população judaica perfazia um total de menos de 8%.

Desde a fundação do país a 14 de maio de 1948, cerca de 3 milhões de emigrantes foram para Israel. Até a passagem para o novo século, havia bem poucos judeus nativos na Palestina. Estes viveram em conjunto e totalmente em paz com seus vizinhos árabes. Mesmo quando a primeira onda de emigrantes começou, principalmente da Rússia e para fundar os primeiros Kibbutz, havia uma convivência tolerante. Somente a agressiva política sionista de desprezo ao ser humano, na década de 30 e 40, foi capaz de destruir a paz e criou o conflito israelense-palestino que dura até o presente.

"A Palestina seria uma terra vazia, onde no máximo alguns beduínos perambulavam em seus camelos." Por crer nesta propaganda propalada insistentemente pelos sionistas, a maioria dos israelenses nega o fato de até mesmo ter havido uma Nakba, a destruição maciça da subsistência e a deportação de 800.000 palestinos da terra de seus ancestrais. Eles também não entendem o que querem os palestinos: um retorno a sua Pátria e uma reparação pelos crimes que foram cometidos contra eles.

Este acontecimento histórico é negado totalmente em Israel e completamente reprimido. Eles simplesmente não querem reconhecer que aconteceu uma grande injustiça (e ainda acontece) todos os dias. Eles não perguntam: se nunca aconteceu a Nakba, por que existem refugiados palestinos há mais de 60 anos? De onde eles vieram?

Como é possível realizar uma festa e celebrar os 60 anos de Israel, se seus vizinhos palestinos e co-cidadãos vivem há 60 anos em campos de refugiados, e agora são presos em Guetos atrás de um grande muro, e como vemos na Faixa de Gaza, vegetam sem energia, sem abastecimento d’água, sem víveres, tratamento médico adequado e outras necessidades primárias; totalmente desprovidos de direitos e tratados pior do que animais? O que os palestinos fizeram para serem punidos coletivamente desta forma?

No ano de 1934, Ben-Gurion reconheceu quem é o real agressor, quando afirmou:
“Se dissermos que os árabes são os agressores e nós apenas nos defendemos, isso é uma meia-verdade. O que concerne nossa segurança e nossas vidas, nós nos defendemos… mas a luta é somente um aspecto do conflito, que em seu âmago é político. E visto politicamente, nós somos os agressores e eles se defendem”.

O massacre de Deir Yassin

Na sexta-feira pela manhã, 9 de abril de 1948, comandos do Irgun (organização sionista de extrema-direita clandestina), liderados por Menachem Begin, futuro primeiro-ministro e ganhador do prêmio Nobel da Paz em 1978, membro do grupo Stern (organização sionista terrorista), atacaram o vilarejo de Deir Yassin, com cerca de 750 habitantes palestinos. Isso aconteceu algumas semanas antes do final do mandato britânico na Palestina. O vilarejo situava-se fora da área recomendada pela ONU para um futuro Estado judeu.

Deir Yassin situava-se numa região alta entre Tel-Aviv e Jerusalém e, como foi esclarecido posteriormente num plano secreto, tinha sido condenado à destruição para criar lugar a uma pequena pista de pouso que serviria ao abastecimento.

Até o meio-dia, mais de 100 pessoas – a maioria mulheres e crianças – foram sistematicamente assassinadas. Quatro dos agressores foram mortos pelos palestinos da resistência. 25 moradores homens foram colocados em caminhões e desfilados pelas ruas do quartel de Zakhron Yosef, em Jerusalém, e então conduzidos até uma pedreira na estrada entre Givat Shaul e Deir Yassin, e lá fuzilados. Os moradores restantes foram expulsos para o lado árabe oriental de Jerusalém.

O jornal The New York Times publicou a 13 de abril de 1948, no dia que finalmente ocorreu o sepultamento, que foram contados 254 cadáveres. Das 144 casas do vilarejo, 10 foram explodidas com dinamite. O cemitério foi planificado com uma pá-carregadeira e, como outras centenas de vilarejos que seguiram, Deir Yassin foi totalmente destruído e retirado do mapa.

Em setembro de 1948, judeus ortodoxos emigrantes da Polônia, Romênia e Eslováquia foram colocados lá. O centro do vilarejo foi rebatizado para Givat Shaul Bet. Quando Jerusalém cresceu, o lugar que outrora foi Deir Yassin transformou-se em parte da cidade e é conhecido agora como a área entre Givat Shaul e o assentamento Har Nof.

Quando a notícia do massacre se espalhou, a liderança do Haganah (organização judaica paramilitar, que posteriormente se transformou no exército israelense), reconheceu que o massacre mancha a questão do combatentes judeus e teria desonrado a tropa de luta judaica e a bandeira. Até Ben-Gurion enviou uma desculpa ao rei Abdullah, da Transjordânia.

Palavras de Nathan Chofshi, pacifista sionista russo e escritor, que emigrou em 1908 para a Palestina. Ele foi testemunha ocular da deportação dos árabes palestinos e teceu críticas sobre isso até 1959: Nós chegamos e transformamos os árabes nativos em refugiados. E nós ainda ousamos negá-lo, difamá-los, macular seus nomes. Ao invés que nós nos envergonhemos por nossos atos e tentemos reparar o mal que fizemos… nós vamos lá e justificamos estes atos repugnantes e tentamos ainda santificá-los”.