Quando a alma deseja

A PALAVRA SÓ É LIVRE QUANDO FLUI PARA DENTRO DA MENTE, DO CORAÇÃO E DA
ALMA SEM RANCORES, DISTORÇÕES E FALSIDADES.

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.

Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito.

Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos.

Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade.

Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração.

Mas, depois de muita análise e observação, se você vir que algo concorda com a razão

e conduz ao bem e ao beneficio de todos, aceite-o e viva-o."

Sidarta Gautama (Buda)


quarta-feira, 15 de maio de 2013

O show (de horrores) deve continuar!

Amigos e amigas.
Recentemente, um "new sertanejo" declarou durante um show que estava exausto e que aquela poderia ser sua última apresentação (Vídeo aqui). Comoção instalada! Seria verdade? O que teria ocorrido? Após um curto suspense, eis que o pobre infeliz reaparece e diz para o 'alívio' dos fãs que tudo não passou de um momento de perturbação e que tudo estava bem outra vez.

Posso calcular a "chamada" que o rapaz levou nos bastidores das centenas de pessoas que dependem de seu trabalho e, principalmente, dos seus investidores. Afinal, se o cachê de um astro sertanejo atual pode chegar a R$ 300 mil, quanto podemos imaginar que gira em torno dele? Será que o rapaz pensou que poderia deixar de ser o "semideus" que a mídia criou e voltar a ser humano, com todas as suas prerrogativas (inclusive as ruins, como cansaço, saco cheio, mau humor, etc)? Deixar de lado (ainda que por algum tempo) todo esse mundo insano do show business e curtir um tempo de delicioso anonimato e aproveitar um pouco o que conquistou?

Ora, ele agora deve saber que sua vida não é mais sua propriedade e um astro só deixa sê-lo se jogar tudo pra cima e desistir. Não existe meio termo se quiser se manter na mídia, essa quimera pantagruélica que cria e derruba colossos à sua bel necessidade. Astros consagrados do naipe de Chico Buarque, Caetano, Djavan, Edu Lobo, Almir Sater, etc, a duras penas conseguiram uma vida própria e, sempre que se permitirem, têm espaço na mídia, que os tratam com mais consideração pelo status de sumidade que adquiriram.

Mas o que mais me causa espécie é a emoção extática que esses 'subprodutos' da música causam no povinho. Assisti numa reportagem que os fãs desses 'new sertanejos' chegam a desembolsar R$ 2 mil por mês só para acompanharem seus ídolos em rodeios, comprarem seus produtos, adquirirem sua moda exclusiva, etc. O que os compelem a tanto? O que recebem em troca? Quão vazias são suas vidas para qualquer novo "astro" pasteurizado e regurgitado pela mídia ocupar seus pensamentos, dirigir suas atitudes e as arrastar a lugar nenhum, deixando-as num limbo de expectativas mal e porcamente saciadas?

E assim, a deseducação corre solta, a alienação prospera, a prostituição das artes em geral se consolida, a destruição paulatina e galopante da capacidade de se gozar as simplicidades da vida devido ao "ensino" do querer sempre mais recrudesce nossa insensibilidade, a banalização de excrescências (drogas, bebidas, violência, pedofilia,...) devido à sua constante apresentação e demonstração de inoperância e descaso por parte do poder instituído nos anestesia,... É o show de horrores real paralelo ao show business surreal, brilhante, ensurdecedor, entorpecedor, que nubla as excruciantes chagas abertas pelos parasitas no corpo da humanidade, que se valem do sangue do povo para se prevalecerem.

Até quando? Não vislumbro como isso pode ser revertido ou minimamente atenuado. Sempre serei aquele beija-flor que faz a sua parte para apagar o incêndio da floresta levando água no bico.
FAB29