Quando a alma deseja

A PALAVRA SÓ É LIVRE QUANDO FLUI PARA DENTRO DA MENTE, DO CORAÇÃO E DA
ALMA SEM RANCORES, DISTORÇÕES E FALSIDADES.

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.

Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito.

Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos.

Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade.

Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração.

Mas, depois de muita análise e observação, se você vir que algo concorda com a razão

e conduz ao bem e ao beneficio de todos, aceite-o e viva-o."

Sidarta Gautama (Buda)


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Meus 10 mais.

Amigos e amigas.
Qualquer lista de melhores ou piores sobre qualquer assunto é pólvora para o fogo. É virtualmente impossível uma lista que agrade em sua totalidade. Recentemente, o SBT promoveu um programa para "descobrir o maior brasileiro de todos os tempos".

Nem preciso dizer a saraivada de impropérios que o programa recebeu pela quantidade de seres esdrúxulos e absurdos que compuseram a lista dos "100 maiores". A "vitória" de Chico Xavier gerará polêmicas para todo o sempre.

Sem nenhuma preocupação de gerar muxoxos, "torceduras" de nariz ou coisa pior, seguem meus "dez preferidos", com as devidas explicações sobre suas presenças e posições. Procurei levar em conta suas relevâncias em suas áreas e a importância das mesmas, pesando prós e contras de suas personalidades e atitudes. Claro que minha admiração pesou também, mas sem ser determinante, espero.

FAB29

 10) Pelé: O "Atleta do Século" merece sua antonomásia. Desde adolescente, encantou e assombrou o mundo com um estilo ímpar que foi um divisor de águas, modelo para o futuro do futebol. Forte, rápido, ágil, inteligente, habilidoso com ambos os pés, com uma "fome de bola" incomparável e artilheiro nato, ele fez até parar uma guerra quando foi jogar no Zaire em 1969. Ele tornou a seleção brasileira invencível quando jogou junto com Garrincha, único jogador do seu nível. Único tricampeão mundial como jogador, Pelé se tornou o nome brasileiro mais popular do planeta. Com méritos. Vale o décimo lugar, como a camisa que ele eternizou.

 09) Patativa do Assaré: Antonio Gonçalves da Silva foi a síntese da arte visceral brasileira, da sua alma sofrida, guerreira, recalcitrante. Poeta popular, cantor, compositor e improvisador, ficou cego de um olho quando criança e completamente cego na velhice. Era analfabeto (tinha só alguns meses de estudo) e tudo o que produzia era pela sua prodigiosa memória. Poemas como "A triste partida", musicado por Luiz Gonzaga, e "Vaca Estrela, Boi Fubá", eternizado por Pena Branca e Xavantinho, mostram sua verve inigualável em transmitir toda a crueza, dor, encanto, compaixão, saudade, etc, que viveu ou presenciou. Considero crime sua obra não ser estudada a fundo nas escolas. Aferrado às suas raízes, jamais deixou seu berço, o sertão do Cariri. Seu amor inquebrantável por sua terra e seu povo avaliza seu nono lugar em minha lista.

 08) José Vasconcelos: Ator, diretor, produtor, radialista e comediante, foi o ápice, a personificação, a quintessência do humor brasileiro (tão asqueroso hoje em dia). Apontado como o primeiro humorista do gênero "Stand up" do mundo, possuía uma versatilidade impressionante, um improviso primoroso, inteligência aguda, poder de observação e adaptação impecáveis e uma classe maravilhosa. Seu personagem mais brilhante, impagável e inigualável foi o locutor gago. Era impossível não chorar de rir com suas performances. Ele foi um paradigma, a dignidade viva do rádio, do teatro e da televisão. Por tanto ter contribuído com o alívio das tensões e dissabores de seu povo tão amargado, o oitavo lugar na lista me parece ideal.

 07) Getúlio Vargas: Político é um problema muito sério. É quase impossível apontar o melhor (ou o menos ruim) sem trombar num monte de obstáculos. Mas Getúlio merece o posto por ter conseguido mudanças boas e profundas para os trabalhadores num período tenebroso do mundo (1930 a 1945) e de 1951 a 1954. Promulgou a CLT, o Código Penal Brasileiro, a Lei das Contravenções Penais, o Código Brasileiro de Trânsito e o Código de Processo Penal Brasileiro. Criou a Justiça do Trabalho, o salário mínimo e a estabilidade de emprego ao trabalhador após dez anos. Promoveu a colonização do interior do Brasil (inclusive o norte do Paraná), que chamou de "Marcha para o Oeste", e dezenas de outros benefícios ao país que alavancaram o nosso progresso. Por ter sido determinante na melhoria da situação do cidadão brasileiro, o "Pai dos Pobres" mereceu sua sétima posição.

06) Barão e Visconde de Mauá: Mega empresário, pioneiro do empreendedorismo no Brasil, Irineu Evangelista de Souza fez no século XIX o que muitos se assombrariam hoje em dia. Comerciante, armador, industrial e banqueiro, industrializou o Brasil no período do império (1822 a 1889): implantou a primeira fundição de ferro, ferrovia e estaleiro do país, além do Banco do Brasil; instalou a iluminação a gás na cidade do Rio de Janeiro e o cabo submarino telegráfico entre a América do Sul e a Europa. Era anti-escravagista, foi precursor do liberalismo econômico, da valorização da mão de obra e do investimento em tecnologia. Seus atos impulsionaram o Brasil, injetando esperança e progresso numa época de trevas, tabus e preconceitos patentes. Com coragem, força de vontade e determinação, fez valer a sexta posição.

 05) Carlos Drummond de Andrade: O "Poeta dos Poetas", para muitos. Escritor de olhar agudo e mentalidade irrefreável, atento a todas as nuances da vida, sabia ser doce, gentil e gracioso tão facilmente como se mostrar mordaz, austero e crítico em seus escritos. Não havia tema do qual se dignasse a falar que ele não demonstrasse um preciosismo, fluidez e conhecimento dignos de um especialista. Mesmo quando escrevia com absoluta simplicidade e palavras fáceis, ele conseguia atingir o âmago do assunto, propondo novos horizontes. Seu poema "Canção amiga" estampou a antiga nota de 50 cruzados novos em 1990. Ainda que se acrescentasse 50 mil zeros, não fariam jus ao valor desse homem. Seu quinto lugar é uma merecida homenagem à literatura brasileira que ele valorizou ao extremo.

 04) Carlos Chagas: Junto com Vital Brasil e Oswaldo Cruz, transformou a saúde no Brasil. Médico, cientista e bacteriologista, destaco Chagas por ser o primeiro (talvez o único na História) que deslindou todo o ciclo de uma doença infecciosa, do patógeno à epidemiologia, descobrindo a Doença de Chagas. O Trypanossoma cruzi foi em homenagem a seu amigo Oswaldo. Doutor honoris causa em Harvard e Paris, também combateu a malária, a gripe espanhola, a leptospirose e doenças venéreas. Dirigiu o Instituto de Manguinhos, no RJ, que virou o Departamento Nacional de Saúde Pública, onde promoveu uma revolução no desenvolvimento de estudos médicos e de pesquisas. Um guerreiro que enobrece o quarto lugar da minha lista de notáveis brasileiros por seu desprendimento e dedicação ao bem estar do mundo

 03) Chico Buarque: O mais universal artista brasileiro. Filho direto (e dileto) da Bossa Nova, em pouco tempo, alçou voos mais longínquos e mostrou genialidade, detalhismo, precisão e originalidade tanto em letras quanto em melodias que impressionaram os maiorais, como Pixinguinha, Vinícius e Tom Jobim. Chico virou um "Midas": qualquer canção que produzisse valia ouro e todos escutavam. Por isso que, quando começou a mostrar seu lado político/social ("Deus lhe pague", etc), foi perseguido, preso e expulso do país pelo regime militar. Produzindo para crianças, fez o mesmo sucesso ("Os Saltimbancos", p. ex.). É mestre em compor "imbuído da alma feminina". Como escritor, mostrou-se digno de elogios, de "Fazenda Modelo" até "Leite derramado". Vinícius dizia que "Chico tem a idade das pedras. Sabe de coisas que ninguém mais sabe". Isso aos 32 anos...! Transita por todos os temas, ritmos e estilos possíveis sem perder a majestade. Vale o bronze na História deste país por ostentar e representar primorosamente a intelectualidade cultural e artística brasileira.

 02) Gustavo Barroso: Faz apenas uma década que descobri este incrível escritor, também advogado, professor, político, contista, folclorista, cronista, ensaísta e romancista, autor de dezenas de livros, vários até assustadores sobre a História do Brasil, e fico indignado por o relegarem às sombras da educação nas escolas, sem nunca ser sequer citado. Apenas seus livros "Brasil: colônia de banqueiros" e "História secreta do Brasil" (em seis tomos) já o colocariam como um dos mais importantes historiadores do país, transformando-o numa referência pela sua lisura, abrangência e contundência ao expor em minúcias os recônditos sórdidos e nebulosos dos bastidores da política brasileira. Foi uma sumidade: membro da ABL por mais de 35 anos (presidente dela em 1932 e 1933), da Academia Portuguesa da História, da Academia das Ciências de Lisboa, da Royal Society of Literature de Londres, da Academia de Belas Artes de Portugal, da Sociedade dos Arqueólogos de Lisboa, do Instituto de Coimbra, da Sociedade Numismática da Bélgica, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e das Sociedades de Geografia do RJ, de Lisboa e de Lima. Respeitável, não? Poderia ser o primeiro, mas concedo-lhe a medalha de prata, com valor de ouro.

 01) Santos Dumont: Voar: o maior sonho do homem! Primeiro, os 'deuses' e os 'anjos'; depois, Dédalo e Ícaro; após estes, milhares de loucos tentaram, até chegar em Da Vinci, que trabalhou seriamente nisso sem sucesso. Então, Bartolomeu de Gusmão voou (flutuou) num balão. Era pouco! Outras milhares de tentativas frustradas até que Santos Dumont, após centenas de protótipos e tentativas, para o mundo inteiro ver e sem margem para senões, finalmente voou por força própria, igual aos pássaros! Após milênios de sonhos, frustrações e mortes em tentativas, estava inaugurada a aviação! Tão inigualável foi seu feito que incontáveis invejosos e sórdidos tentam lhe tirar seu merecido título de "Pai da Aviação". Afinal, um terceiro mundista de um país silvícola não pode ter a maior primazia da humanidade! E além da aeronave, este genial inventor também criou o balão dirigível, o relógio de pulso, o hangar e o ultraleve. Criador incomparável, trabalhador incansável, idealista, vanguardista, humanista,... Todos os adjetivos e medalha de ouro para o maior brasileiro da História, que aproximou o homem de Deus.