Quando a alma deseja

A PALAVRA SÓ É LIVRE QUANDO FLUI PARA DENTRO DA MENTE, DO CORAÇÃO E DA
ALMA SEM RANCORES, DISTORÇÕES E FALSIDADES.

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.

Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito.

Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos.

Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade.

Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração.

Mas, depois de muita análise e observação, se você vir que algo concorda com a razão

e conduz ao bem e ao beneficio de todos, aceite-o e viva-o."

Sidarta Gautama (Buda)


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Belo pensar

Amigos e amigas.
Peguei trechos de um belo texto do escritor Rubem Alves (que penso ser bem conhecido) para comentá-lo conjuntamente e opinar em seguida:

Ganhei coragem

"Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece", observou Nietzsche. É o meu caso. Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Por medo. Albert Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora em que a coragem chega: "Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos". Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem." [Eu estou meio longe da velhice; por isso, assino embaixo. Ainda estou ganhando coragem; ainda só aprendendo a dizer com consciência e destemor o que penso.]

"Vou dizer aquilo sobre o que me calei: "O povo unido jamais será vencido", é disso que eu tenho medo. 
Em tempos passados invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo... Não sei se foi bom negócio; o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de TV que o povo prefere." [Na adolescência, eu gostava dessa frase "O povo unido...". Até aprender que o consciente coletivo não existe na prática. Com essa mentalidade do povinho esvaziada pelos grandes corruptores no intuito de destruir a família, cada vez mais a democracia não passará de um simulacro tosco de sistema de governo]

Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável. O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhe contavam mentiras. As mentiras são doces; a verdade é amarga. [Perfeito!]

Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro "O Homem Moral e a Sociedade Imoral" observa que os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem. Mas, quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas.
Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival. Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo. [Serão necessárias mais algumas décadas de prática constante para o ser humano não se deixar levar pelas emoções bárbaras. Emocionar-se é essencial, mas elas não podem determinar as atitudes. "Sede senhor de vossa mente", apregoava Buda]

O povo é movido pelo poder das imagens, e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras. O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade. Uma coisa é o ideal democrático, que eu amo. Outra coisa são as práticas de engano pelas quais o povo é seduzido. O povo é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham. [Há muito tempo que afirmo: os políticos têm toda a razão de investir em sua imagem, pois é sempre nela em que o povo vota.]

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça, é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: "Caminhando e cantando e seguindo a canção...". Isso é tarefa para os artistas e educadores. O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança." [E nesse ritmo, continuaremos na esperança.]


Este é realmente o mais triste ponto da humanidade: seu comodismo. O povo foi 'democraticamente' doutrinado a votar em representantes (dos quais, é pateticamente dito, será chefe) que deveriam fazer tudo aquilo que fosse necessário para a comunidade. Cansei de ver pessoas dizendo: "Nós 'votou' neles. Agora, eles tem que fazer as coisas pra nós!"  O problema é que há uma ordem de ação para "quitar os débitos". Há muitos bolsos no caminho. Enquanto isso, o povinho chafurda em sua passividade.

E o jovem, explodindo de energia e adrenalina, se achando super, dono das ideias, capaz dos maiores feitos, invencível, etc, bota os pés pelas mãos Afinal, potencial sem conhecimento, consciência, cultura, experiência, sabedoria, é o mesmo que pôr uma metralhadora nas mãos de um chimpanzé. Boa parte dos jovens é completamente indisciplinada e inconsequente, se deixando levar por qualquer teoria nefasta bem urdida ou acenos agradáveis, regados a vícios fáceis (bebida, sexo,...).

"Pensar globalmente; agir localmente". Uma atitude simples que resolveria o mundo de cada um e, na esteira, todo o resto, pois formaria um tecido que abrangeria a todos. Cada um seria (aprenderia a ser) líder de si mesmo, tornando-se auto suficiente sem deixar de ser social, de amar seu próximo, de se relacionar.


Mas a democracia imposta é o maior estorvo.

FAB29