Quando a alma deseja

A PALAVRA SÓ É LIVRE QUANDO FLUI PARA DENTRO DA MENTE, DO CORAÇÃO E DA
ALMA SEM RANCORES, DISTORÇÕES E FALSIDADES.

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.

Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito.

Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos.

Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade.

Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração.

Mas, depois de muita análise e observação, se você vir que algo concorda com a razão

e conduz ao bem e ao beneficio de todos, aceite-o e viva-o."

Sidarta Gautama (Buda)


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Insignificância

Amigos e amigas.
Eu sou plenamente consciente da minha respectiva insignificância ao universo. Há muito tempo, eu aprendi e ponho em prática a "Filosofia do Egoísmo". Nunca será aquele egoísmo torpe, pernicioso, deletério que, na verdade, chamo de egocentrismo. Meu egoísmo se resume em pensar em mim, cuidar de mim, me priorizar sem desprezar ninguém, querer o melhor possível para mim sem tirar nada de ninguém, sem atropelar ninguém, sem fazer mal a ninguém. O que for meu, é meu, mas deixo disponível a quem quero bem e, dentro do possível, eu o divido com quem precisar e eu achar que mereça. Minha única ambição é estar bem para fazer o bem.

"O meu egoísmo é tão egoísta que o auge do meu egoísmo é querer ajudar" (Raul Seixas). Afinal, "Quanto mais fazemos pelos outros, mais temos para nós mesmos" (Máxima islâmica).

O professor e filósofo Mario Sérgio Cortella foi acachapante nesse tema. Veja ou relembre:


Muito se diz da imensa relevância do Homem para o planeta, da sua superioridade, supremacia, capacidade de mudar o mundo, sua descendência divina, enfim, de todo o seu potencial de criar ou destruir. Inclusive, tudo isso também é dito ou praticado entre as raças, povos, etnias, etc. É uma tamanha tacanhice de um se achar melhor que o outro. Um verdadeiro caldeirão de pretensão, arrogância, soberba, empáfia, desamor,... constantemente fervendo.

Fazendo um breve resumo de alguns dados, apenas como exercício de raciocínio, constatamos a relevância da humanidade:

- Imagine a Terra com 8,5 bilhões de habitantes. A área do Brasil (menos da metade da América Latina) é de 8,5 milhões de km². Se trouxéssemos toda a humanidade para cá e a distribuíssemos igualmente, cada pessoa teria 1000 m² para si e todo o resto do planeta estaria VAZIO;
- O monte Everest tem quase 9 km de altura. Se o planeta fosse uma bola de 1,3 m de diâmetro, esse colosso teria 1 mm. Nós seríamos invisíveis;
- É sabido que dois terços da biomassa animal do planeta são formados por INSETOS. Do um terço restante, o ser humano divide espaço com os outros mamíferos, répteis, anfíbios, aves, peixes,... Quem é mais influente para o planeta?
- E é também sabido que uma erupção normal de um vulcão como o italiano Etna ou o havaiano Kilauea equivale a mais de uma década de emissão de dióxido de carbono pela atividade humana, que emite menos que os insetos. Então, a explosão do Krakatoa equivaleria a quantos milênios?

Por favor, não estou querendo "jogar sua baixa estima lá no alto". Tornarmo-nos conscientes da nossa respectiva insignificância tem o poder de aflorar a humildade (ao menos, em mim, deu certo há décadas). Essa consciência também atila nossa vontade e necessidade de melhorarmos sempre, fazendo-nos procurar companhias que nos ajudem a isso; nos inspira a nos dedicarmos à procura pela verdade, coerência, equilíbrio; nos faz desejar pessoas que tenham ensinamentos a compartilhar ou deficiências que possamos suprir para, com isso, desenvolvermos tudo o que nos é importante mental, moral, emocional e espiritualmente.

É difícil existir algo mais repulsivo do que um pedante. Piores, só os parasitas e os corruptores. Todos aqueles que se acham superiores, escolhidos, o suprassumo, o paradigma, nada mais são do que pessoas vis, desprezíveis, "aleijadas por dentro" e, por serem verdadeiramente incapazes da autossuficiência, precisam se escorar em qualquer fiapo de apoio (ainda que torpe) ou mesmo apupos para não se esboroar. Ser digno de pena é até pior do que ser digno de ódio.

Com tudo isso, eu lhe afirmo: aceite ser humilde, mas sem ser passivo. Se você aceita suas dúvidas e as tenta dirimir sem nada temer, você está dando os primeiros passos para a sabedoria; se aceita que é e sempre será uma criança para a Mãe Terra, você terá sempre milhões de opções para nunca se entediar; se aceita que todo o seu conhecimento não passa das primeiras páginas de uma enciclopédia de mil tomos, você vai se manter jovem até o seu último momento.

Assim é a Vida! Isso é viver! A eterna insatisfação, a constante busca, o contínuo desenvolvimento, o assustador descobrimento, o delicioso maravilhar-se, o prazer de recomeçar. Um ato contínuo até encontrarmos a paz.
FAB29

12 comentários:

  1. Querido FAB, meu amigo do coração,
    Convencionamos tornar absolutos valores referentes a factos e circunstâncias, sem levar em conta uma importante premissa: "tal coisa sugere ser assim, mas como e em relação a quê? " A partir da convicção dada à resposta abrimos-nos a um novo referencial, assim o processo sugere visão de relatividade e escala, minimizando a auto-importância e possibilitando acesso a outras alternativas, antes não levadas em consideração.

    Toneladas de ferro e madeira, grades, portões e portas, trincos e ferrolhos, são armas usadas pelas fronteiras imaginárias da divisão, do dualismo humano. A barbárie avança sobre o cadáver da civilização. Lembre-se que civilização é sinónimo de liberdade, convívio harmonioso e respeito mútuo, enquanto a barbárie asfixia, projectando o medo, a mentira e a insegurança. Quando construímos uma protecção de aço sobre o muro das nossas casas, é porque já as temos dentro de nós. Sistemas electrónicos de protecção cada vez mais sofisticados, estão a ser lançados no Mercado da Insegurança e do Medo, para nos proteger de nós mesmos!

    Portanto, é natural criarmos fronteiras artificiais dividindo o ser humano para preservar o ego a auto estima e a "self" importância, exactamente, porque nada somos e estamos convencidos do contrário... típico da sociedade de consumo e do colapsar já avançado de uma civilização.Toda a artificialidade alimenta a imaginação e traduz-se num falso sentimento de segurança pessoal e colectiva.
    Os "buscadores da verdade" derrubam essas fronteiras imaginárias para poder compreender o universo e tudo que possa estar ao seu alcance. A sensação de segurança é assim completamente diluída, porque derrubando fronteiras deixa de haver limites. Para uma sociedade adormecida, hipnotisada por séculos de dogmas, nada pode fazer com que sintam mais desconfortáveis e em perigo... nisso vêem o abismo e imediatamente recuam para a segurança atávica daquilo que foi imposto.
    A vida para ser vivida, não pode admitir limites. A vida é fluida e não pode ser contida.
    Um beijo.

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    1. Um comentário mais abrangente que o meu post, prezada mestra.

      Há muito que eu me esmero em derrubar essas fronteiras imaginárias. Ainda restam muitas, mas as poucas que já ultrapassei me levaram a escrever esse post. Espero galgar novos degraus a cada instante com a lapidação das excrescências mentais e emocionais impostas e o refinamento dos infindáveis caminhos espirituais.

      Não sei se a alcançarei, mas se chegar a orbitá-la, será uma vitória.
      Beijo.

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    2. A vida pra ser vivida requer limites, caso contrário, podemos cometer suicídio.

      Existem 2 tipos de limite : aquele pra vencer, pra que cresçamos e outro pra respeitar, para que vivamos.

      Cobalto

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    3. Cobalto
      Concordo, mas nós temos que impor esses limites e não nenhuma força externa ao nosso ser. Temos de gerir as três forças do Universo: activa, passiva e neutralizante. Mas como as religiões e dogmas fazem questão de polarizarpara estabelecer limites, parece que a sua teoria não deu muito resultado até hoje. São três forças, não duas. Quanto ao vencer, vencer o quê? As forças polarizadas foram deturpadas em Bem e Mal e não existem fora de você. Só se for para vencer a si próprio...

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    4. Já agora Cobalto, para que precisa de limites se existir, como nomeei acima, liberdade, convívio harmonioso e respeito mútuo? Será que consegue crescer com limites? e a que ponto? Suicidar-se-ia se não lhe impusessem limites? Teme-se a si mesmo? é isso? Não precisamos de limites de outros seres que à partida têm as mesmas possibilidades que nós e nós que eles! Não há superiores quando há Amor e Confiança!... pelo menos para mim e penso que o FAB pensa da mesma forma.

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    5. Não há superiores quando há Amor, Confiança e Respeito.

      Por mais que duas idiossincrasias se coadunem, elas são únicas e fatalmente ocorrerão atritos. Nestes momentos, precisamos aprender a ser fluidos como a água e nos adaptarmos o melhor possível a cada situação.

      Respeito às abençoadas diferenças.

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    6. Querido FAB a fluidez advém da terceira força, a força neutralizante. É aquela força superior que advém de Algo Superior que nos penetra apenas e só, quando conseguimos esvaziar a mente. É essa força que nos é dada quando, conseguimos olhar para dentro (e não projectar para fora, para os outros), o que tanto Krishnamurti aconselha... olhar para dentro. Com as três forças ficamos completos, Unos e fluidos. Essa força não admite autoridade nem submissão.

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    7. Bom saber que, na minha simplória ignorância de níveis espirituais (ainda sou muito terreno), eu estou certo, também.
      Grato pelo acréscimo.

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    8. Bem, Fada tuga, pra começar não falei em impor nada. Apenas que existem 2 tipos de limites.

      Quanto ao resto, é sufismo e interpretações relativistas. Engodos e sofismas usadas com maestria pela maçonaria e pela NOM.

      Cobalto

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    9. Está a ver como são os bipolares seguidores de ideologias e dogmas, querido FAB? Tudo menos fluidos como você.
      De grande guerreira passei a Fada tuga, em três tempos. Mais palavras para quê?!

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    10. Aliás, a sensação que deu o Cobalto, foi de que cuspiu. Penso que não quererá explicar quais são os 2 tipos de limites.

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    11. Sabe que mais FAB? AHAHAHAHAHAHAHAH!!!
      Deu para uma boa risada, vendo bem! :)

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