Quando a alma deseja

A PALAVRA SÓ É LIVRE QUANDO FLUI PARA DENTRO DA MENTE, DO CORAÇÃO E DA
ALMA SEM RANCORES, DISTORÇÕES E FALSIDADES.

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.

Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito.

Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos.

Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade.

Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração.

Mas, depois de muita análise e observação, se você vir que algo concorda com a razão

e conduz ao bem e ao beneficio de todos, aceite-o e viva-o."

Sidarta Gautama (Buda)


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Maquiagens

Amigos e amigas
O mundo contemporâneo vive de aparências. Não apenas nas novelas, shows, Hollywood, entretenimento em geral. Também na política, no comércio, no cotidiano mais comezinho, tudo precisa de ajustes, melhorias, elisões ou acréscimos, etc, para ser mais visual e/ou palatável, para não acuar e chocar o gado humano ou gerar medo, revoltas, reações "tsunâmicas". É bem ao estilo Ricúpero: "Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura; o que é ruim, a gente esconde".

É comum se horrorizar com as covardias e maus tratos aos animais selvagens ou mesmo cães e gatos, coisas que ocorrem o tempo todo pelo mundo (e eu também deploro), mas é difícil aqueles que não adoram um belo e bem variado churrasco (asinha de frango, linguiça bem passada, picanha,...) ou simplesmente não ficam sem carne. Assim fazendo, apoiam e mantêm a pecuária e a indústria frigorífica que abate milhões de animais diariamente. Muitos desses animais são criados em situações opressivas ao extremo. Alguns são imobilizados em locais escuros, sendo abatidos com poucos meses de vida, sem nunca terem visto a luz do sol (Os vitelos, por exemplo). Paul McCartney afirmou: "Se as paredes dos abatedouros fossem de vidro, a humanidade seria vegetariana". Também aposto que a humanidade não seria a mesma se cada um tivesse que matar para obter sua carne.
Peguei a foto menos chocante.
Ainda no quesito alimentação, sabemos que todos os produtos industrializados (e muitos naturais) são impregnados de conservantes, ou corantes, ou acidulantes, ou agrotóxicos, ou vários deles combinados, etc. Tem casos do McDonalds onde pessoas provam que os produtos da empresa não se deterioram devido a conservantes poderosos ou mesmo enormes dúvidas sobre a procedência das matérias primas. Mas a maciça e pasteurizada propaganda da empresa compensa ao vender alegria, vitalidade, sofisticação, juventude, graça, confraternização, status, etc, superando imensamente tais "incômodos detalhes". E o povinho faz de conta que "Ah, é assim mesmo!".
Quantos não são assim?
A usura ("O câncer no azul", segundo Ezra Pound) foi de tal maneira incrustada no nosso cotidiano que a maioria se sentiria até órfã se ela fosse obliterada. A saúde da simples comercialização de bens e serviços dentro da civilidade, justiça e honestidade assusta, causa estranheza e chega a soar mal nos ouvidos desacostumados a tal maravilha. Esse assalto institucionalizado é defendido ferozmente com propagandas semelhantes às do cigarro, do álcool, da política, dos remédios, dos cartões de crédito, etc. Em geral, elas mostram casos de pessoas que tomaram empréstimos dentro do esquema usurário e conseguiram seus objetivos, recomendando, felizes e sorridentes: "Façam como eu!" A grande maioria sabe e sente na pele essa ostensiva deterioração a que é submetida, mas segue bovinamente sua vidinha. "Fazer o quê, né?"
Veem como não é só por aqui?
As maquiagens prosseguem em diversos níveis, estilos, esquemas, intensidades,... Por exemplo, os moradores de Copacabana voltaram a ver uma leva de mendigos que havia "sumido" durante a Copa. Será que eles haviam viajado por não suportarem a barulheira dos torcedores? Outra enorme maquiagem estamos a rever nas campanhas políticas que se iniciaram. Brilhos, abraços, sorrisos, promessas, certezas, soluções, "vamos juntos",... Tudo aquilo que você quer escutar, ver, sentir, reivindicar, etc, este é o período perfeito! Câmeras, microfones, fotos, espaço nas mídias, "A voz do povo!". Neste clima inteiramente "photoshopado", produzido para suas necessidades, você é instado a votar naquelas pessoas que não conhece, nem sequer faz ideia de como funcionam os meandros dos cargos que pleiteiam, quase não terá como cobrar suas promessas, quase nunca verá melhorias mínimas no seu cotidiano,... Enfim, ficará a ver navios, chupando o dedo, xingando o vento: "É, não tem jeito, mesmo!"
Perfeito resumo.
O ápice dessas maquiagens vemos hoje em dia: o genocídio perpetrado pelos israelenses em Gaza, fato que deveria ser execrado pela opinião pública mundial, mas tem a covarde e tácita aprovação da maioria da humanidade. Sim, porque omissão é aceitação. E tal aceitação se dá por dois motivos grotescos: o combate ao terrorismo e o direito de autodefesa. Ambos, juntamente com a "vitimização holocáustica", conseguem nublar a dantesca covardia contra os palestinos, justificando todo esse abuso. A indolência da humanidade e a covardia servil dos governos mundiais eufemizam tal inferno, dizendo: "Eles que se entendam!"
Este é real e continua ocorrendo
O controle das massas, dos governos e entidades mundiais é tamanho que podridões como pedofilia, escravidão sexual, sacrifícios humanos e tantas outras convivem galhardamente com as atitudes mais sadias, à guisa até mesmo de "liberdade de expressão" ou "respeito às individualidades". O entretenimento nefasto (principalmente via televisão, com seus programas de auditório) e o "douramento da pílula" pela grande podre mídia (escondendo soluções práticas e atitudes nefastas, incitando pornografia, banalizando a violência, etc) cumprem bem seu papel anestesiante.

O mundo real caminhará para o abismo enquanto o mundinho idílico cevado e defendido por cada um for a tônica, bem como a estupidez, relatada por Chico Buarque em "Rosa dos Ventos":

"E, na gente, vê o hábito
de caminhar pelas trevas,
de murmurar entre as pregas,
de tirar leite das pedras,
de ver o tempo correr".

FAB29