Quando a alma deseja

A PALAVRA SÓ É LIVRE QUANDO FLUI PARA DENTRO DA MENTE, DO CORAÇÃO E DA
ALMA SEM RANCORES, DISTORÇÕES E FALSIDADES.

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.

Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito.

Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos.

Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade.

Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração.

Mas, depois de muita análise e observação, se você vir que algo concorda com a razão

e conduz ao bem e ao beneficio de todos, aceite-o e viva-o."

Sidarta Gautama (Buda)


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Yann & Scliar

Amigos e amigas.
Não é só sobre o holocausto que aparecem situações de plágio, criações "cooptadas", apropriações indébitas e similares. Vejam o caso do brasileiro abaixo:

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Moacyr Scliar (1937-2011) quis processar o canadense Yann Martel por ter usado em "A Vida de Pi" (Rocco) a premissa de seu livro "Max e os Felinos" (L&PM), segundo texto do editor Luiz Schwarcz publicado no blog da editora Companhia das Letras.

O gaúcho sempre negou ter pensado em recorrer à Justiça, embora mostrasse desconforto com comentários do canadense. Martel dizia que, após ter lido resenha desfavorável sobre o livro de Scliar, concluiu que saberia aproveitar melhor a ideia de um garoto num barco com um felino.

A polêmica começou quando, em 2002, o jornal britânico Guardian notou a semelhança entre a obra de 1981, do gaúcho, e a de 2001, do canadense. Segundo Schwarcz, Scliar teria ligado para ele, “indignado”: “Temos que fazer alguma coisa, tchê. Isso é plágio, Luiz. Vamos acionar advogados, uma coisa como essa não pode acontecer”.

Embora não fosse o editor de "Max e os Felinos" – a Companhia das Letras passou a editar Scliar anos depois da publicação –, Schwarcz diz ter feito uma mediação.

Convenci Moacyr de que o processo seria inviável e propus que Martel desse uma entrevista valorizando a obra do brasileiro e se retratando das declarações infelizes. Moacyr, por seu lado, daria declarações dizendo que não moveria processo algum.

Essas declarações, escreve Luiz, saíram em 2004, na Folha e no O Estado de S.Paulo. Em 2002, Scliar, então colunista da Folha de S.Paulo, já dizia, em texto na Ilustrada, que não pensava em processo.

É plágio? Depende, o que dá margem a uma discussão não apenas literária: nesta época de copyrights, propriedade intelectual é uma coisa séria, e uma ação judicial me foi sugerida. Recusei. Não sou um litigante.”


Daí, temos esta declaração do próprio Scliar:


Martel tentou se defender, mais liso que bagre ensaboado. Disse, por exemplo: "Será que haveria o mesmo escândalo se eu dissesse que me inspirei na Arca de Noé?"; ou esta, quando disseram que John Updike nunca tinha lido o livro de Scliar: "Acho que não foi o Updike e também não foi no New York Times Book Review. Fui traído por minha memória."; E mais esta: "Fiquei triste e surpreendido que minha homenagem a Scliar tenha sido vista como um ataque contra ele e o Brasil." E esta pérola? "Seriamente: como se pode plagiar um livro que não se leu?"

http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,acusado-de-plagiar-scliar-yann-martel-se-defende,20021107p2691

Tanta desfaçatez e nenhuma reação à altura! Como vemos, nosso famoso "complexo de vira-lata" é arraigado.
FAB29