Quando a alma deseja

A PALAVRA SÓ É LIVRE QUANDO FLUI PARA DENTRO DA MENTE, DO CORAÇÃO E DA
ALMA SEM RANCORES, DISTORÇÕES E FALSIDADES.

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.

Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito.

Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos.

Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade.

Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração.

Mas, depois de muita análise e observação, se você vir que algo concorda com a razão

e conduz ao bem e ao beneficio de todos, aceite-o e viva-o."

Sidarta Gautama (Buda)


sábado, 2 de janeiro de 2016

"Inculta e bela"

Amigos e amigas.
As palavras de Olavo Bilac sobre a língua portuguesa que intitulam o post são ideais para a situação do nosso idioma. Não tenho dúvidas de que mudança é algo absolutamente necessário à vida. Ela evita a estagnação, nos faz melhorar, evoluir, criar, sacudir a poeira e o mofo, abre horizontes,... Enfim, sem ela, sem evolução!

Essencialmente, a mudança nos beneficia, visto que só a fazemos quando temos uma certeza de que será de mais valia ou vai nos livrar de uma situação ruim. As mudanças que acontecem sem aviso podem abalar nossa estrutura em qualquer sentido; são o que se chama de 'acidentes', 'imprevistos', 'tragédias', etc. Mesmo assim, em geral, nos arvoramos naquele ditado popular: "Se a vida lhe deu um limão, faça uma limonada!" Há quem faça uma caipirinha.

Nesta postagem, quero me referir às mudanças nas regras ortográficas que estão em vigor desde 01/01/09, que são uma triste exceção ao que escrevi acima. É nos dito que foram planejadas para melhorar o entendimento do idioma e se adequar às ortografias de outros países que usam o idioma lusitano. Porém, o que vemos é uma quantidade enorme de problemas que ainda estão dando nós nas cabecinhas da maioria dos alunos e das pessoas comuns. Vejam:

Hífen: por que passamos a escrever 'para-brisa', 'para-raio', para-choque' e 'paraquedas'?! Explicam que "'paraquedasperdeu a noção de composição, por ter deixado de ser entendida em seu sentido literal". Fácil de se compreender?! Uma explicação menos complicada seria: "'paraquedas' apresenta derivativos, como paraquedista e paraquedismo, ao contrário de para-lama, para-raio, etc". Mesmo assim, gravar este detalhe não é moleza! Além destas: 'pé de moleque', 'dia a dia' e 'queda de braço' perderam o hífen porque "são palavras compostas ligadas por preposição". MAS, há exceções: 'água-de-colonia', 'arco-da-velha', pé-de-meia',... Sabem por quê?! NÃO?! Nem eu! E há tantos outros exemplos que é sensato parar por aqui.


'Benfeito', 'Bem-feito' e 'Bem feito': O primeiro é substantivo (como 'benefício'): "O aposentado recebeu seu benfeito integralmente."; o segundo, adjetivo: "Que trabalho bem-feito!"; o terceiro, interjeição: "Bem feito pra ela!". Ciente de que muita gente sequer reconhece o verbo numa frase, fico tentando imaginar como estes exemplos explicativos poderiam ajudar, principalmente as crianças até dez anos, que baseiam seu aprendizado na oralidade. Quando forem escrever, pobrezinhos, terão de suar em dobro para aprender!

Acentuação: Você se lembra o que são ditongos crescentes e decrescentes? Se não, vai ficar muito difícil entender por que 'feiura' e 'baiuca' perderam seus acentos e 'Guaíra', não. E os acentos diferenciais que caíram? 'Pelo' pode ser substantivo, verbo ou uma contração (per + o); 'Para' pode ser verbo ou preposição; 'Polo' pode ser uma contração (por + o), um elemento de composição ou três substantivos diferentes. G-ZUIZ!!

Trema: Penso que a extinção deste sinal foi o maior crime que cometeram! A partir dessa mudança, como explicar a uma criança que 'linguiça' e 'preguiça' não se pronunciam do mesmo jeito? Assim como: 'aguenta' e 'guerra'; 'frequente' e 'enquete'; 'tranquilo' e 'aquilo' e por aí vai? Será "simples": dirão 'Prestem atenção nas conversas dos adultos!' Ah, sim! É claro! Até parece que, entre os adultos, existe uma maioria de bons exemplos de cultura gramatical, eloquência e prosódia...! Pobres crianças!


Até a Turma da Mônica tentou ajudar
O que quero frisar é que as idéias das mudanças ortográficas foram até interessantes, mas atrapalharam demais e precisam ser contestadas. Não é exclusividade desta reforma. Lá na reforma dos anos 40, por exemplo, ficou decidido que "dansa" passaria a ser escrita com “ç”. Motivo? Arbitrário, porque a palavra original é a francesa "danser". Dois mestres (Antonio Houaiss e Guimarães Rosa) eram contra. Tanto que Rosa NUNCA escreveu "dança". E ele não era um simples teimoso; era uma autoridade no assunto. Saibam que, aos 16 anos, ele já era poliglota (falava 7 idiomas) e estudava a gramática de outros 11 (incluindo sânscrito e tupi); começou a fazer medicina, formando-se aos 22 e criando uma obra que se tornou referência na Literatura brasileira. Altas credenciais!

Mas já que estou ponderando, faço uma extrapolação: Por que a prosódia não é determinante na grafia? Talvez assim: toda palavra que tivesse som de "Z", se escreveria com "Z"; se tivesse som de "G", se escreveria com "G"; se tivesse som de "X", se escreveria com "X", etc. Já pensaram? "MAXADO", "GEGUE", "GIBOIA', "CAZA",... Lógico que, para todos os que estão desacostumados a isso (como eu), seria, no mínimo, esquisitíssimo, mas simplificaria enormemente o aprendizado, especialmente às crianças. Até os pais conseguiriam ajudar os filhos em casa antes de entrarem na escola.

Só sei, pessoal, é que uma coisa tão planejada e já executada outras vezes, sempre por centenas de pessoas de alto nível e capacidade, não tinha nem o direito de deixar tantas lacunas e dificuldades. Se tantos problemas assim fossem detectados na estrutura de uma casa, você moraria nela? Se fossem detectados num restaurante, pizzaria ou supermercado, você comeria ou compraria lá? Se fossem detectados num carro, navio ou avião, você viajaria nele? Certamente que não!

Por que, então, somos obrigados a aceitar sem pestanejar tantos problemas em nosso idioma? É com ele que nos comunicamos, nos socializamos, nos entendemos, nos divertimos, nos julgamos, negociamos, aprendemos, ensinamos,... Como fica a formação de uma criança que tem dificuldades de compreensão e, daí, de interpretação, análise e crítica? Se ela não souber escrever e se expressar corretamente, além de se expor a situações chatas ou vexatórias, dificilmente terá as portas dos grandes empregos abertas para si, tendo que se sujeitar a funções menores ou a favores para crescer e melhorar de vida.

Com civilidade, é outra coisa!
Realmente me dói concluir que tais pequenas iniquidades ajudam a esmagar uma das coisas mais preciosas da vida: a consciência, que nos faz discernir o bom do ruim, o bem do mal, o prazer do sofrimento, a segurança da inconsequência, a justiça da ganância, etc. Perdão, mas lá vou eu de novo crer piamente que isso tudo é mais uma faceta daquelas "teorias da conspiração" da NOM que assolam a mente dos neurastênicos. Pois não posso crer que não consigamos chegar a um acordo para criarmos simples regras ortográficas para qualquer um aprender e nos comunicarmos com propriedade e fluidez. Como disse o poeta: "É coisa dos 'hómi'!"

É dito que "a fome cria escravos perfeitos". Para mim, a ignorância cria zumbis perfeitos. Portanto, o "investimento" que os grandes parasitas fazem nela é sordidamente compreensível. Cada vez mais, as saídas desses labirintos são ocultadas de nós. Cada um deve fazer o possível para não se enredar nessas tramas insidiosamente urdidas e tentar o tempo todo e de todas as maneiras que puder avisar e ajudar o máximo número de pessoas possível.


É o que estou tentando aqui. Boa sorte a todos!
FAB29

4 comentários:

  1. A falta de chuvas e a Reforma Ortográfica são obras dos grandes parasitas - os nômades parasitas sionistas .

    Grato ao Fab , por nos alertar

    Feliz 2016 !

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    1. Ter uma opinião formada sobre cada coisa que se mostra, no mínimo, inadequada e expô-la é parte obrigatória da hombridade humana, sem receio de chacotas ou algo pior.

      E assinar sua opinião é o ápice do caráter de cada um.

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  2. Não é chacota ...estou falando sério . Acho sim que os sionistas estão por trás da Reforma Ortográfica e da falta de chuvas em SP .

    E meu nome é Fabio .

    Abraço

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    1. Eu fiz referência a mim mesmo frente a muitos outros que visitam meu blog e não crêem em muitas coisas que não são difíceis de se ver, atinar ou, principalmente, de se criticar.

      Volte sempre, Fábio.

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