Quando a alma deseja

A PALAVRA SÓ É LIVRE QUANDO FLUI PARA DENTRO DA MENTE, DO CORAÇÃO E DA
ALMA SEM RANCORES, DISTORÇÕES E FALSIDADES.

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.

Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito.

Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos.

Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade.

Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração.

Mas, depois de muita análise e observação, se você vir que algo concorda com a razão

e conduz ao bem e ao beneficio de todos, aceite-o e viva-o."

Sidarta Gautama (Buda)


sexta-feira, 4 de março de 2016

Escalas de valores

Amigos e amigas.
Sempre que o assunto "profissão" vem à baila, um detalhe se destaca: uma covardia contra as profissões mais simplórias, como faxineiro, lixeiro e serventes. Lembram-se do que falou o inefável Bóris Casoy? A coisa é tão acachapante que até os filhos desses profissionais se sentem intimidados na presença de filhos de outros profissionais, como médico, empresário e advogado, tendo vergonha até mesmo de dizer a profissão dos pais.

Um dia (lá no início deste século), numa sala de aula de 5ª série, esse assunto surgiu entre os alunos e apareceu uma picuinha onde diminuíam quem era filho de faxineiro. Então, eu propus um raciocínio pra eles refletirem. Comecei com uma pergunta:

“Quais são as três profissões mais importantes pra você?”

Venceram, pela ordem: médico, professor e policial. Peguei a campeã (médico) e perguntei: “Quantas vezes POR ANO um faxineiro precisa dos serviços de um médico?”. Logicamente, ninguém soube precisar. Ficou no “depende de vários fatores”, mas todos convergiram para uma palavra: numa emergência. Então, perguntei-lhes: “Quantas vezes POR DIA o médico precisa dos serviços de um faxineiro?”. Concluíram que era, no mínimo, uma vez por dia, chova ou faça sol.

Foi daí que eu lhes falei quais eram as três profissões no mesmo nível de importância para mim:

- Professor: a todo momento, estamos  ensinando ou aprendendo alguma coisa;
- Produtor rural: temos de nos alimentar todos os dias (e tudo o que consumimos vem da terra);
- Faxineiro: todos os dias, nós precisamos, no mínimo, nos limpar (portanto, somos faxineiros de nós mesmos).

Frisei-lhes que são profissões primárias porque TODOS NÓS dependemos delas DIARIAMENTE. Um certo mal estar surgiu quando falei que médico, policial e bombeiro são profissionais “secundários” (frisei as aspas) porque podemos passar meses a fio ou até a vida inteira sem precisar dos seus serviços (o que, convenhamos, é o desejo de todos). Eles só são primários nas já citadas emergências. Disse-lhes que eu nunca precisei dos serviços dos bombeiros, mas sou dos primeiros a aplaudi-los e exigir a presença deles nas cidades, sempre bem preparados e bem remunerados. Afinal, é a coisa mais comum muitos deles sofrerem sequelas para sempre ou perderem a vida em serviço.

Resumindo, deixei claro a eles que NUNCA se deve diminuir ou desmerecer qualquer profissão. Finalizei assim: “Todos aqui devem detestar baratas, mas elas são muito importantes nas cadeias alimentar e produtiva da Terra. Se fossem extintas, a mudança na Natureza seria tão brutal que a própria humanidade sofreria horrores. Não estou comparando lixeiros, faxineiros e serventes a baratas, mas pensem no quanto a humanidade padeceria se eles deixassem de existir.” Creio ter conseguido um bom resultado, visto que nunca mais se ouviu na escola inteira piadinhas desse desnível.

É bem conhecida a história de um psicólogo renomado de uma grande empresa que se disfarçou de faxineiro e ficou um mês trabalhando nela assim. Todos os dias, seus colegas (que não sabiam dessa experiência) passaram por ele pelos corredores e nunca o identificaram. Com isso, ele provou que esses e outros profissionais básicos são “invisíveis”, se tornando “parte da mobília ou do prédio”, sendo solenemente ignorados pela maioria.

Conheço muitos que têm essa soberba à flor da pele (no meio político, é a tônica) e fazem questão de a usar sempre que seu ego acha necessário “colocar o indivíduo no seu devido lugar”, como se eles fossem a quintessência da humanidade. Só essa atitude já os coloca num nível subterrâneo, o que os tornam patéticos e execráveis. A melhor coisa a fazer com tipinhos nocivos como esses é isolá-los e desprezá-los, evitando contaminação, ou combatê-los sempre que suas atitudes venham a causar qualquer mal em nossas vidas. Infelizmente, eu tive de aprender a manter esse 'botão do desprezo' em "stand by" pra não dar espaço a esses tipinhos. Estou constantemente deletando-os.

Praticar e exigir humildade é obrigação de todos. Façamos sempre.
FAB29