Quando a alma deseja

A PALAVRA SÓ É LIVRE QUANDO FLUI PARA DENTRO DA MENTE, DO CORAÇÃO E DA
ALMA SEM RANCORES, DISTORÇÕES E FALSIDADES.

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.

Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito.

Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos.

Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade.

Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração.

Mas, depois de muita análise e observação, se você vir que algo concorda com a razão

e conduz ao bem e ao beneficio de todos, aceite-o e viva-o."

Sidarta Gautama (Buda)


sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Não fala de Chico !

Amigos e amigas.
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O mestre
Quero fazer esta colocação para mostrar o que penso, como vejo e o quanto repudio as sutis grotescas colocações que pseudos em geral se arvoram em regurgitar, possivelmente por narcisismo torpe ("Falem mal, mas falem de mim").

O título é uma referência a uma canção de Chico Buarque ("Não fala de Maria"). Com ele, quero chamar atenção à estupidez, mesquinharia, hipocrisia, maledicência e sordidez de tantas correntes que visam achincalhar e solapar a Arte e a Cultura brasileiras.

São "N" exemplos, mas vou me ater a dois, referentes justamente a Chico Buarque. Há uns 15 anos, a Folha de São Paulo publicou o resultado de uma enquete que revelou quais as melhores músicas da história da MPB. Dezenas de jornalistas, críticos e artistas foram convidados a votar nessa eleição.

A campeã foi "Águas de março", de Tom Jobim, seguida de "Construção", do Chico. É óbvio que todo e qualquer resultado daria margem à contestação e desagrada a estes e àqueles. O que me pegou foi uma declaração do Erasmo Carlos, que afirmou que "Construção" não merecia figurar na lista porque "é uma bela letra, mas tem uma melodia muito fraca".  Além de quê, vários a taxam de "muito chata". [Detalhe: ele, Erasmo, foi um dos votantes da enquete e, na sua lista, figurava uma música dele próprio. Quanta modéstia!...]

Eis como vejo a referida canção: imaginem a construção de uma casa. Ela tem três etapas (como na música). A primeira é suas fundações e o erguimento de suas paredes ("Tijolo com tijolo num desenho lógico") e telhado. É sempre a mesmíssima coisa, extremamente enfadonha, repetitiva, monocórdica, metódica. Percebam que Chico demonstrou exatamente tudo isso na melodia da primeira parte. (Não que eu a ache tudo isso. Eu adoro a música! É apenas uma análise pura e simples.)

Na segunda parte, a construção se refina: há a colocação de massa corrida, azulejos, portas, pisos, janelas, conjunto de louças, encanamento, fiação,...  que exigem muita precisão e zelo. E a segunda parte da canção também é mais elaborada, com a entrada de uma orquestração, de outras vozes auxiliando Chico e a alteração da última palavra de cada verso, enriquecendo ainda mais o sentido da letra (por exemplo, trocou "Seus olhos embotados de cimento e LÁGRIMA" para "TRÁFEGO").

E qual é a terceira parte de uma construção? O toque final? A pintura. E, em geral, no lado de fora, se acrescentam floreiras, cimentados, pedras ou outras milongas. E, na música, há suas "milongas": Chico e o MPB4 se intercalam nos vocais de cada verso e finalizam com um trecho de "Deus lhe pague".

Notaram que a música "CONSTRUÇÃO" denota exatamente uma CONSTRUÇÃO? Para mim, coisa de gênio!


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Manuscrito do mestre
O segundo exemplo se refere a uma das mais recentes canções do Chico: "Querido Diário". Eis a estrofe que gerou tanta polêmica e exacerbações da turminha especializada em procurar pêlo em ovo:

"HOJE, PENSEI EM TER RELIGIÃO.
DE ALGUMA OVELHA, TALVEZ, FAZER SACRIFÍCIO;
POR UMA ESTÁTUA, TER ADORAÇÃO.
AMAR UMA MULHER SEM ORIFÍCIO"

Entre tanta porcaria que falaram, um belíssimo imbecil classificou o último verso como "O PIOR VERSO DA MPB DE TODOS OS TEMPOS!". Confesso que, quando escutei a música pela primeira vez, levei um choque nesse verso (Óbvia intenção do autor). Mas não estamos falando de um coió (Luan Santana, Sorocaba, Latino, Ivete,...) que faz qualquer coisa para aparecer. Vejo o rapaz como o maior ícone da MPB de todos os tempos. Isso sempre me fará analisar suas palavras com toda a atenção, por mais que, a priori, me causem espécie. Meu irmão classifica Chico como "um cara que causa cosquinhas no cérebro".

Após reler a estrofe e ponderar, não consegui resistir a um "FILHO DA MÃE!!" Isto porque acredito ter compreendido a intenção do moço. (Claro que posso estar quadradamente enganado, mas não creio): nós só estamos vivos por causa de nossos orifícios. Através deles, respiramos, comemos, cheiramos, ouvimos, enxergamos, excretamos, suamos, transamos, nascemos. Essa simples ponderação buarquiana é uma ode à vida!

Analisando cada verso: No primeiro, ele demonstra que nunca seguiu nenhuma religião e cogita começar a fazê-lo. Daí, começa a ponderar as possibilidades. No segundo verso, alude ao judaísmo, com seus holocaustos. No terceiro, ao cristianismo, que louva imagens. De repente, no quarto verso, pára e comenta uma conclusão que lhe assaltou a mente.

E é um comentário que QUALQUER PESSOA NORMAL faria! Eu mesmo nunca fiquei à vontade louvando e reverenciando uma estátua sacra quando ainda frequentava missas na adolescência. Isto porque eu tenho toda a fé nas pessoas, na vida, na natureza, na Criação. ENERGIA VIVA!! Chico também! Ao proferir o último verso, ele apenas exprimiu que essa adoração a uma coisa inanimada iria contra tudo o que ele sempre pensara e fizera.

Viver é uma eterna troca de idéias, sentimentos, fluidos, entre seres VIVOS. O simbolismo de transferir sua fé para coisas frias, sem reação, e nelas, cultivá-la, não lhe é atraente.

Conclusão: está cada vez pior viver numa sociedade tão medíocre (educadamente falando) que relega tantas capacidades monumentais como Chico à ralé cultural! Essa mesma sociedade que faz vistas grossas a tanta incultura e vilipêndios à arte em geral. Que se esbalda com tanto funk, axé, "sertanojo" e tantas 'expressões artísticas' que priorizam o inútil, o banal, a "bagaceira". O que têm de vermes, baratas e parasitas à espreita, esperando qualquer oportunidade para sair à luz e "se dar bem" não é pouca coisa! E nada como aproveitar um "deslize" (que ELES acreditam assim ser) de um gigante para ter seus segundinhos de fama!...

Daí, reforço o título: NÃO FALA DE CHICO! É crime de lesa-Arte reduzi-lo à insignificância que os "Prostituidores do Mundo" constantemente impõem à vida, impedindo-nos de evoluir mental, emocional e espiritualmente! Minha mãe sempre me ensinou assim: "
Meu filho, se você não tiver nada de bom, útil ou producente para dizer, fique quieto!".

Mas, para nossa infelicidade, os "Prostituidores" jamais permitirão evoluir. Por isso, cabe a cada um desenvolver um ou mais filtros que impeçam a invasão de tanto lixo que a Grande Mídia vomita diuturnamente em nossos orifícios!
FAB29

terça-feira, 17 de setembro de 2019

O Carniceiro sionista

Amigos e amigas.
Falar deste senhor Ariel Sharon é particularmente espinhoso. Não há tons de cinza. Enquanto os fundamentalistas sionistas e seus aspones o vêem com brilho nos olhos, eu só vejo trevas. Nada do que já li sobre ele me causou um mínimo de simpatia. Fiz uma pesquisa e constatei que não tenho motivo algum para simpatizar. Sua frieza, fanatismo, crueza, violência, impiedade,... cada atitude me desalentava ou me enojava. Não deixa nada a dever às atitudes delegadas aos piores criminosos da História.

Desde 2006, o 'desinfeliz' esteve em coma, vindo a falecer quase 8 anos depois, em janeiro de 2014. Há quem fale o famoso "Aqui se faz, aqui se paga!" ou em "Justiça Divina". Há muito tempo, venho me desapegando desse espírito revanchista. Afinal, quem disse que ele agiu sozinho, por pura vontade própria ou que era ele que mandava em tudo? Corruptores e corruptos são o que não falta na geopolítica do mundo. Vide Netanyiahu, Macron, Merkel, Bolsonaro,...

Tenham uma ideia de sua personalidade nefasta nesses excertos abaixo. Alguns são de seus compatriotas.
FAB29

"A história de Sharon nos oferece um arquivo de corrupção moral, com documentos provando crimes de guerra no início dos anos 50. (...) A primeira ação militar de Sharon foi em agosto de 1953 no Campo de Refugiados de El-Bureig, ao sul de Gaza. Um arquivo israelense da Unidade 101 registra que 50 refugiados foram assassinados; outras fontes alegam terem sido 15 ou 20. O Major-General Vagn Bennike, comandante das Nações Unidas, relatou que “bombas foram lançadas pelos homens de Sharon “através de janelas das cabanas nas quais os refugiados estavam dormindo e, assim que alguns destes saíam, eram atacados por armas de pequeno porte e automáticas”.

Em outubro de 1953, ocorreu o ataque da Unidade 101, comandada por Sharon, a vila jordaniana de Qibya, cuja “mancha” segundo o Ministro de Relações Exteriores de Israel à época confidenciou ao seu diário, “estará grudada em nós e impossível de ser lavada por muitos anos”. Ele estava errado. Posto que vários comentários ainda mais fortemente pró-israelenses no ocidente o compararam com Lidice (cidade da Tcheco Eslováquia que dizem ter sido destruída pelos nazistas na 2ª Guerra. N.A.). Qibya e o papel de Sharon são dificilmente evocados no ocidente hoje, a não ser por jornalistas como Deborah Sontag, do New York Times, que escreveu recentemente uma nota 'chapa branca', descrevendo-o como 'corajoso'; ou o representante do Washington Post em Jerusalém, que ternamente o invocou, após sua fatal excursão aos locais sagrados em Jerusalém, como o 'grandioso guerreiro'.


O historiador israelense Avi Shlaim descreve assim o massacre: “A ordem de Sharon era para penetrar Qibya, explodir casas e causar grandes danos aos habitantes. O sucesso obtido pro suas ordens superou todas as expectativas. A completa e macabra história do que aconteceu em Qibya foi revelada somente durante a manhã posterior ao ataque. A vila foi reduzida a ruínas: quarenta e cinco casas foram explodidas e sessenta e nove civis, dois terços mulheres e crianças, foram mortos. Sharon e seus homens afirmaram que acreditavam que todos os habitantes haviam fugido e de que não imaginavam que havia pessoas se escondendo dentro das casas”. (...)

E o que dizer sobre a conduta de Sharon quando esteve na direção do Comando do Sul das Forças de Defesa de Israel no inicio dos anos de 1970? A “passagem” de Gaza foi vivamente descrita por Phil Reeves em um artigo no The London Independent em 21 de janeiro desse ano:


Eles (soldados de Sharon) vieram pela noite e começaram marcando as casas que queriam demolir com tinta vermelha”, disse Ibrahim Ghanim, 70, um trabalhador aposentado: “Pela manhã eles voltaram e ordenaram que todos saíssem. Eu me lembro de todos dos soldados gritando para as pessoas, Yalla, yalla, yalla, yalla! Eles atiravam os pertences das pessoas na rua. Então, Sharon trouxe tratores e começaram a pavimentar a rua. Eles fizeram todo o trabalho praticamente em um dia. E os soldados batiam nas pessoas, você pode imaginar? Soldados com armas batendo em pequenas crianças!”

Assim que o trabalho do exercito israelense terminou, centenas de casas estavam destruídas, não somente na Rua Wreckage, mas por todo o campo, com cancelas de “segurança” instaladas por Sharon nas suas vias de segurança. Muitos refugiados se abrigaram em escolas ou se apertaram nas já lotadas casas de parentes. Outras famílias, geralmente aquelas com um ativista político palestino, foram colocadas em caminhões e levadas ao exílio em uma cidade no coração do Deserto de Sinai, controlada por Israel”. (...)

Em agosto de 1971 sozinhas, tropas sob o comando do Sr. Sharon destruíram cerca de 2000 casas na Faixa de Gaza desalojando 16.000 pessoas pela segunda vez em suas vidas. Centenas de jovens palestinos foram presos e deportados para a Jordânia e o Líbano. Seiscentos parentes de guerrilheiros suspeitos foram exilados no Sinai. Na segunda metade de 1971, 104 guerrilheiros foram assassinados. 'A polícia naquele tempo não prendia os suspeitos, mas os assassinava', disse Raji Sourani, diretor do Centro Palestino de Direitos Humanos na Cidade de Gaza”. (...)

Como ministro da defesa do segundo governo de Menachem Begin, Sharon foi o comandante que liderou plenamente o assalto ao Libano de 1982, com a ordem expressa de destruir a OLP, levando tantos palestinos quanto fosse possível para a Jordânia e fazendo do Líbano um estado “cliente” de Israel. Este foi um plano de guerra que custou um sofrimento incontável (cerca de 20.000 vidas Palestinas e Libanesas), e também a morte de aproximadamente 1000 soldados israelenses. Os israelenses bombardearam populações civis à vontade. Sharon também comandou os terríveis massacres dos campos de refugiados de Sabra e Shatilla. O governo do Líbano contou 762 corpos descobertos e, mais tarde, 1200 enterrados privadamente pelos parentes. (...)


O massacre dos dois campos contíguos de Sabra e Shatilla ocorreu das 18:00h. de 16 de setembro de 1982 até às 08:00h de 18 de setembro de 1982, em uma área sob o controle das Forças de Defesa de Israel. Os assassinos eram membros da Milícia Phalange, a força Libanesa que foi armada e intimamente aliada a Israel desde o primeiro ataque da guerra civil Libanesa em 1975. As vitimas do ataque de 62 horas incluiam bebês, crianças, mulheres (inclusive grávidas) e idosos, alguns dos quais foram mutilados e decapitados antes ou depois de serem mortos.

Uma comissão oficial israelense de inquérito – liderada por Yitzhak Kahan, presidente da Suprema Corte de Israel – investigou o massacre e, em fevereiro de 1983, publicou suas conclusões (sem o Apêndice B, que permanece secreto até hoje). (...)

Sharon sempre foi contra qualquer acordo de paz, a menos que em termos inteiramente impossíveis de aceitação pelos Palestinos. Assim como Nehemia Strasler assinalou em Ha’aretz em 18 de janeiro deste ano, em 1979, como membro do gabinete de Begin, ele votou contra o tratado de paz com o Egito. Em 1985, ele votou contra a retirada das tropas de Israel da, assim chamada, zona de segurança no Sul do Líbano. Em 1991, ele se opôs à participação de Israel na Conferencia de Paz de Madri. Em 1993, ele votou “não” em Knesset no Acordo de Oslo.

No ano seguinte, ele se absteve no Knesset em uma votação sobre o tratado de paz com a Jordânia. Ele votou contra o acordo de Hebron em 1997 e se opôs ao meio pelo qual a retirada do sul do Líbano estava sendo conduzida. Como Ministro da Agricultura de Begin no final dos anos de 1970, ele estabeleceu muitos dos acordos da Cisjordânia que são hoje a maior obstrução para qualquer negociação de paz."

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Pequeno respiro

Amigos e amigas.
Nos próximos 4 dias (de 12 a 15/09), estarei em "recesso internético" para resolver pequenas "questãs". Quaisquer comentários serão lidos e possivelmente publicados na segunda, 16/09.

Antecipadamente grato a todos pelas visitas e participações, abraços a vocês e lhes desejo muita saúde e tudo de bom. Até breve.
FAB29
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Contemplar é preciso.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Desamparos

Amigos e amigas.
Não se pode negar que o maior intuito dos grandes parasitas é a absoluta dominação de sua humanidade hospedeira. Nada menor que sua total subserviência (a perfeita escravidão) irá lhes satisfazer. Para tanto, eles se valem de toda e qualquer atitude lesiva, nociva, opressora, degradante, etc, para garantir seu intento.

O tripé desse esquema é: Educação, Economia e Saúde. Criar todo tipo de dificuldade de acesso a estes três quesitos faz com que as pessoas restrinjam seus mundos, impedindo-as de evoluir. Os dois primeiros se resumem na ignorância da realidade e na fome pura e simples. O terceiro é mais insidioso: exaurindo as condições de acesso à plena saúde (principalmente pela nutrição), os grandes parasitas garantem que sua hospedeira não desenvolva defesas contra eles.

No texto abaixo (retirado daqui), podemos vislumbrar como tal esquema consegue afetar até a população da dita "maior economia do mundo". Leiam e constatem tal degeneração.
FAB29

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Na manhã do dia 7 de agosto deste ano, às 8:23, Brian Jones ligou para o serviço de emergência 911 e disse que ia se matar. A polícia ainda tentou fazer contato por telefone e enviou um robô com uma câmera. Era tarde demais. Os corpos foram encontrados em um dos quartos, com tiros, um do lado do outro. Ele tinha 77 anos e ela, 76. No local, os detetives encontraram bilhetes dele citando problemas de saúde da esposa e dizendo que não tinha dinheiro para pagar as dívidas médicas.

Noticiada em todo o país, a morte do casal provocou indignação em pessoas que se identificaram com a dificuldade de acesso à saúde e as dívidas astronômicas que podem ser contraídas mesmo por quem já paga um plano de saúde nos Estados Unidos. Um estudo publicado em março no American Journal of Public Health mostrou que, dos pedidos de falência feitos no país entre 2013 e 2016, 66,5% (parcela que representa 530 mil famílias) estavam ligados a problemas de saúde. “Somos um dos países mais ricos do mundo e não deveríamos deixar as pessoas chegarem a essa situação”, disse à piauí o xerife Bill Elfo, que acompanha as investigações do caso. 
Os Estados Unidos não têm um sistema universal de saúde, como o SUS no Brasil. O sistema americano é público-privado. O governo subsidia o seguro de alguns grupos específicos – Medicare para maiores de 65 anos e pessoas com deficiência e Medicaid para população de baixa renda –, mas mesmo esses grupos precisam pagar por medicamentos, hospital e tratamentos especiais. O seguro para idosos não cobre cuidados em casas de repouso, onde idosos e pessoas com deficiência recebem tratamentos específicos. O número de pessoas com seguro-saúde  aumentou muito após o então presidente Barack Obama aprovar a lei Affordable Care Act, também conhecida como Obamacare. Em 2010, 16% da população não tinha seguro; hoje são menos de 10%, ou 30,4 milhões de pessoas. O presidente Donald Trump vem cortando fundos para a divulgação e iniciativas para cadastro de novos beneficiários. Pessoas da família acreditam que eles tinham Medicare, mas o casal era bastante reservado e preferia não falar muito sobre essas questões.
Mesmo os programas públicos são realizados pelos planos dos seguros de saúde privados ou com algum nível de assistência deles”, explica Cheryl Camillo, pesquisadora americana na Universidade de Regina, no Canadá, que trabalhou no Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo dos Estados Unidos e no Departamento de Saúde e Higiene Mental do estado de Maryland. “Mesmo idosos que possuem Medicare ainda pagam o prêmio do seguro-saúde e coparticipação pela cobertura”, explica. Poucas operadoras de planos controlam o mercado, e, ao mesmo tempo, oferecem centenas de opções de planos, tornando a escolha difícil por parte do consumidor. Mesmo com Medicare, os pacientes precisam pagar o seguro suplementar de medicação. Sem esse seguro, o preço dos medicamentos fica ainda mais alto.
Os Estados Unidos são o país que gasta maior porcentagem do PIB (Produto Interno Bruto) em saúde (17,9%, segundo o Centro para Serviços de Medicare e Medicaid). Pesquisadores da Universidade de Harvard publicaram em 2018 um estudo comparativo do sistema de saúde americano com outros dez países que gastam muito com saúde, como Suíça, França, entre outros, e descobriram que, nos Estados Unidos, os valores pagos por remédios com receita e pela mão de obra são muito mais altos do que nesses outros países. Mas, mesmo assim, a expectativa de vida dos americanos é mais baixa que de outros países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) – resultado que pode estar associado às maiores taxas de pobreza e obesidade entre os americanos. Uma análise da instituição independente Kaiser Family Foundation realizada em agosto de 2019 mostrou que o gasto médio de uma família com saúde cresceu 18% nos últimos seis anos, passando de 6 571 dólares  em 2013 para 7 726 dólares em 2018. Já a inflação aumentou 8% e os salários, 12%. A maioria da população depende do seguro-saúde pago pelos empregadores.
Os altos custos da saúde nos Estados Unidos também vêm pesando mais no bolso de idosos e aposentados. Estudo publicado em agosto de 2018 no Jornal de Direito da Faculdade de Indiana mostrou um aumento de 204% de pedidos de falência pessoal para pessoas entre 65 e 74 anos de 1991 a 2016. Para pessoas acima de 75 anos, o aumento foi de 345%. A redução da renda na aposentadoria e os gastos exorbitantes com saúde são citados como alguns dos principais fatores para o número de falências de idosos ter mais que dobrado na última década. Segundo o estudo, os maiores gastos ocorrem com saúde: os idosos acabam pagando exames, medicamentos e outros gastos com cartão de crédito e isso faz as dívidas se acumularem com juros altíssimos. 
No Brasil, os idosos também são os mais penalizados pelos preços altos dos planos de saúde privados, e, sem condição de pagar, acabam saindo desses planos. Hoje, segundo o Ministério da Saúde, quase 80% dos idosos brasileiros não têm planos privados e procuram tratamento no SUS. Para quem, em qualquer idade, não pode pagar pelos planos, o atendimento universal do sistema público se transforma em opção viável, apesar das filas e dos problemas. O governo Bolsonaro tem falado em rever normas do SUS e, ainda que mantendo o acesso universal, previsto na Constituição, quer discutir conceitos como a equidade em saúde, que obriga o governo a fornecer medicamentos de alto custo. Em julho, o Ministério da Saúde rompeu contratos com laboratórios de produção de dezenove remédios distribuídos gratuitamente no SUS.