Amigos e amigas.
O caso abaixo foi uma reviravolta no processo que a filha de uma 'vítima
do holocausto' havia movido contra os bancos suíços, afirmando que estes
estavam escondendo uma conta de seu pai.
Após um 'teatro-dramalhão' que fez quando estava para perder o processo,
ela "ganhou" 100 mil dólares sem que nada tivesse sido provado.
Vejam o que ocorreu mais tarde, segundo este texto de David Irwing
de 2005 que traduzi.
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Inversão dramática no caso de Greta
Beer
"Foi sua performance que deu aos
banqueiros suíços dores de cabeça. Como o senador Alfonse D'Amato levou
à tribuna em 23 de abril de 1996, no âmbito das primeiras audiências sobre os
ativos não reclamados e deixou claro para o público com algumas frases curtas
qual era o certo e qual era o lado errado da justiça no caso. Greta
descreveu, com uma voz embargada pelas lágrimas, o tratamento humilhante que ela
teve que aturar em sua busca por contas de seu pai nos bancos suíços e como
essa dura magnanimidade destruiu suas chances de uma vida confortável.
A partir de então, o "Caso
Suíço" tinha um rosto: em Greta Beer, que repetiu as acusações contra
"os frios, arrogantes e poderosos" bancos suíços. Ela nunca
foi capaz de se recuperar deste ataque. Mesmo Paul Volcker, o presidente
da comissão que foi nomeado após ele, mais tarde, observou que suas acusações
foram "decisivas".
Hans Bär, o representante
do setor bancário que também estava presente nessas audiências, convidou a
principal testemunha no mesmo dia para vir à Suíça e ajudá-la com a sua
pesquisa com as contas que desapareceram. Ela voou para a Suíça algumas semanas
mais tarde, mas, apesar de uma intensa busca, não houve resultados positivos. E
assim se manteve: apesar de toda a investigação pela Comissão Volcker, não
havia nenhum sinal das contas de Siegfried Deligdisch - pai romeno de
Greta Beer.
Pesquisa israelense
Em suas memórias, Hans Bär assumiu que
essa conta já não existia; após a morte do pai de causas naturais
durante a guerra, seu irmão assumiu a sua empresa e, assim, também o poder de
representação em relação às contas - com a qual Bär implica sutilmente o
destino delas. Como resultado, Greta Beer estava prestes a deixar o processo
Volcker de mãos vazias. Por esta razão, o juiz novaiorquino Edward Korman
concedeu-lhe 100.000 dólares "como remuneração por sua ajuda em tornar
a solução possível" dos fundos de liquidação.
Mas a história não tinha acabado com
isso. Há poucos dias, Greta Beer recebeu uma notícia através do NZZ am
Sonntag (um jornal suíço), o que ela estava esperando há anos: uma conta
tinha aparecido, mas em vez de um banco suíço, no Banco Leumi, em Israel. Lá,
depois de uma pesquisa de quatro anos nos "Ativos do Holocausto"
em bancos israelenses, uma lista de 3595 contas foi publicada
no final de janeiro, entre as quais uma está sob o nome Siegfried Deligdisch.
Greta Beer, que mora em Boston, e seu
irmão Otto Deligdisch estão convencidos de que não há dúvida de que este
foi o relato de seu pai. Ele havia construído uma das maiores empresas têxteis
do Leste da Europa entre as duas guerras. Suas relações de negócios chegaram do
Egito até a Europa Ocidental, incluindo a Suíça, onde ele havia comprado
máquinas para suas fábricas, que tinha o nome de "Hercules". Em
suas viagens de negócios, muitas vezes ele viajou pela Palestina, e até comprou
uma casa em Jerusalém, em 1934. Essa conta está provavelmente relacionada com a
transação.
Precedente ameaçador
Apesar desse surpreendente achado,
Greta Beer e seu irmão ainda estão convencidos de que uma grande parte dos fundos
de seu pai está na Suíça. Beer também contradiz o relato de Hans Bär pelo qual
seu pai lhe deu a procuração. Burt Neuborne, o representante dos
advogados de acusação no processo Korman, que o CRT (Tribunal de pedidos
de restituição) está fazendo uma nova tentativa de encontrar contas de
Deligdisch na Suíça. As chances de sucesso não são boas.
A surpreendente virada do processo
Greta Beer é o resultado de uma clarificação em Israel, que tem sido
controversa. O membro do Knesset Colette Avital obteve, contra
uma grande dose de resistência, através de um projeto de lei dizendo que os
bancos israelenses também devem olhar para as contas não reclamadas do
Holocausto. Após os resultados, que foram publicados em janeiro de 2005,
uma série de bancos se opuseram, dizendo que as contas não pertenciam às
vítimas do Holocausto. Trata-se de "o princípio", disse o Ha'aretz.
Nenhum banco israelense quer admitir
abertamente, e ser visto em livros de História, como tendo fundos acumulados
pertencentes às vítimas do Holocausto durante tantos anos.
Greta Beer foi, entretanto, contatada
por Colette Avital e o Conselho de Inquérito sobre os próximos passos para
receber a posse da conta. Segundo informações do Yona Fogel, vice-presidente
do Banco Leumi, o processo de restituição ainda não foi esclarecido. Entre
outras coisas, o montante de juros sobre essas contas está em
discussão. No momento, uma taxa de 3 ou 4%, está a ser considerada. De
acordo com o Ha'aretz, é possível que esta taxa será reduzida, uma vez que é
provável que seja um precedente para o retorno dos fundos palestinos.
A História não necessariamente favorece
Greta Beer."
[PS- Só para reforçar, o que dizer das
quase 3600 "holo-contas" em Israel ?]



