BÊNÇÃO
Minha sorte é que ela me aceita em sua vida.
Tenho sorte dela suportar estoicamente meus (muitos) momentos irritadiços, meus desalentos, meus maus humores.
Sorte porque ela, apesar de eu pouco sorrir, me sorri sempre, além e adiante dos seus padeceres.
Minha sorte é tanta que, a despeito de eu ser incapaz de dizer que a amo por me sentir insignificante ante à majestosidade da frase, ela não me deixa esquecer (como se isto fosse possível) que me ama. E o diz.
Tenho a sorte de poder um pouco compensar minhas incapacidades sendo de mais valia a cada momento agudo seu de sofrimento. Posso não ser uma solução, mas, ao menos, um bálsamo.
Quanta sorte quando uma sublimidade acolhe as imprecisões de um insone desorientado e as transforma em vaga lembrança!
Não tive nenhuma sorte em encontrá-la. Isto não passou de pura coincidência. Ela ter me aceitado ultrapassou a sorte.
É minha bênção.
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