Amigos e amigas.
Raul Seixas cantou lá nos anos 80: “O russo que guardava o botão da bomba H tomou um pilequinho e quis
mandar tudo pro ar!” Claríssima alusão de que estamos a um “click” do “Salve-se
quem puder!” E se observarmos bem, não apenas nesse sentido bélico. O tecido
social é tão intrincado quanto tênue, sensível, bastando um pequeno abalo para
que ocorra um efeito dominó. E neste detalhe, os grandes parasitas se especializaram, tomando as rédeas de pontos cruciais para tolher e chantagear.
| Cena normal em metrópoles. |
Vemos o caso dos transportes públicos, onde tantos
profissionais vivem numa maratona diária de pressão e urgência advindas dos
usuários que precisam cumprir seus horários. Portanto, eles não podem se dar ao
luxo de atrasar, precisam lidar com seus cansaços físico, mental e emocional,
relegar seus problemas pessoais e, de quebra, tentar suportar eventuais maus
humores ou coisa pior de determinados cidadãos que podem estar num dia ou
momento ruim. Basta um agente estressor (acidente, veículo quebrado, apagão, enchente ou greve) para causar transtornos de tal monta que reverberam em quase todos os níveis,
aumentando de sobremaneira o risco de uma tragédia.
| Pra quê presídios? Colônia penal é a melhor solução. |
Em delegacias e presídios, a nevralgia é palpável. São locais prenhes de violência, tensões, onde desajustados e piores se acumulam. Não há um só local ou momento ali em que um "click" não possa deflagrar um caos, um redemoinho de insanidades e destruição, com tristes resultados e sequelas indeléveis.
Nos casos de hospitais e creches, os profissionais vivem num
fio de navalha até mais terrível por mexerem com situações críticas de vida ou
morte de inocentes a todo instante. Qualquer distração (remédio mal administrado, por
exemplo) pode ser a última para quem está sendo cuidado. Quando as condições de trabalho são
precárias (ponto criminosamente comum ao que é público), o “ponto do click” fica
à flor da pele; quando há falta de pessoal, a sobrecarga nos que permanecem
trabalhando pode gerar um descontrole que descamba fatalmente numa epidemia;
quando se deflagra uma greve,...!
| Cada vez menos e pior assistência. |
Atualmente, São Paulo e Rio de Janeiro vivem uma crise
hídrica gerada por criminosos rastros químicos que impedem a formação de nuvens
de chuva. Nisto, a população é privada do que há de mais básico: água! Daí, advêm
os problemas: racionamento, redução da produção e consequente aumento de
preços, limitação do simples ser e estar, exasperação. Tal padecer (e outros) cevado pelos parasitas do
mundo tem o intuito de enclausurar as pessoas em seus mundos, nublando a lucidez, evitando que
pensem globalmente, que racionalizem e preparem seus futuros com um presente
consciente e que progridam, tornando-se aptos a cada vez menos dependerem da "assistência" oferecida pelos parasitas. Se não for revertido, gerará focos críticos de distúrbios que não precisarão de muito para descarrilar.
| Pau-de-arara paulista... |
Porém, o ponto mais crucial da vida contemporânea chama-se
internet. Esta vive de “clicks”; a nossa vida em “clicks”. Quase tudo está
ligado nela: governo, comércio, negócios, comunicação, entretenimento,
informações,... A gama é incalculável! Tamanhas influência, imensidão, presteza e
abrangência geraram uma dependência visceral das pessoas a ela nesse tecido social mundial, na vida
atribulada, a mil por hora. Quantas vidas são salvas a todo instante por causa
dela? Quanto aprendizado obtemos? Quantas novidades? Obviamente, tantas
maravilhas quanto misérias em geral, mas o que quero salientar é o extremo
perigo se houver um “tilt”, ou um apagão, ou uma falha local ou mais
abrangente. Assemelhar-se-á a um trem sendo bruscamente parado. Onde este “click”
atingir se desconectará e muitos perderão seu contato, ficarão cegos, surdos e
mudos, tateando o ar. Se for em escala global,...!
| Virtualmente real!... |
Penso que a humanidade está em péssimas mãos, visto que o
mundo virtual está tomando conta da realidade cotidiana das pessoas, a ponto
delas entrarem em parafuso sem ela, muito semelhante a um viciado sem sua
droga. Assim como o “russo” do início do post, quem tiver o “botão da internet”
sob seu controle terá uma poderosíssima arma de barganha, um poder de subjugar
a humanidade. Um “click” nela aqui e acolá muda rumos, subverte tendências,
destrói adversários, açambarca atenções, suscita temores e obediência,
reescreve a História, molda situações, inventa e reinventa soluções, conduz a
boiada à sua bel necessidade, etc.
Resumindo, somos represas que se saturam a cada minuto da
vida e que precisam abrir suas comportas constantemente. Não tendo esse escape,
o risco de transbordar ou de se romper por um insosso e inofensivo “click” se
torna um fantasma, uma faísca num rastilho de pólvora. Cada ponto deste post e
muitos mais são minas enterradas no seio das sociedades, prontas para serem
detonadas por seus senhores, pretensos donos do mundo. Urge nos acautelarmos e fazermos o possível para nos desvencilhar da rede de maledicências tecida por eles.
FAB29
Em tempo: Abençoados aqueles que não se deixaram escravizar por essa
maravilha tecnológica, mantendo ativas suas realidade e fascinação pelas coisas
simples e sadias da Criação, seu apego pelo contato direto com o mundo que o
cerca, sua sanidade preservada. Ou seja, abençoados por permanecerem 100%
humanos.