Amigos e amigas.
O economista
Paulo Nogueira Batista Jr. foi escolhido para assumir a vice-presidência do
Banco do BRICS, deixando seu cargo de diretor do FMI. Segue abaixo uma
entrevista dele que extraí daqui.
Conheça um pouco mais dessa novidade.
É uma boa
esperança que se vislumbra nesse mar de usura em que a humanidade chafurda.
Espero de coração que dê bons frutos, diferentes dos amargosos que hoje em dia
temos de engolir.
FAB29
| Ex-diretor do FMI Paulo Nogueira |
O brasileiro viaja nesta segunda-feira (15)
para a Rússia onde, entre outros compromissos, participa de um painel na
quinta-feira (18) no Fórum Econômico de São Petersburgo.
Sputnik: Como o senhor analisa a
importância do bando dos BRICS, o que ele representa e como o senhor vê essa
sua nova atribuição?
Paulo Nogueira Batista Junior: O banco dos BRICS,
como ele é conhecido na imprensa, na verdade se chama Novo Banco de
Desenvolvimento foi estabelecido pelos BRICS com o intuito de criar um novo
canal de financiamento de projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável
nos países em desenvolvimento em geral. Não é, portanto, um banco dos BRICS a
rigor porque, pelo seu convênio constitutivo, ele já pretende estar aberto a
outros países, inclusive países avançados que podem se tornar membros do Novo
Banco de Desenvolvimento num segundo momento, juntamente com outros países em
desenvolvimento.
S: Voltado exclusivamente para os
países em desenvolvimento?
PNBJ: Os empréstimos serão apenas para países
em desenvolvimento, nas áreas de infraestrutura e desenvolvimento sustentável,
como eu vinha dizendo, mas é um banco que deve ser visto como aberto. Ele é
aberto por estatuto, por convênio constitutivo a qualquer país membro das
Nações Unidas e, uma vez que ele entre em operações, o que se espera que
aconteça em janeiro do ano que vem, os países fundadores, que são os cinco
BRICS, vão dividir, vão orientar a administração do banco, composta por um
presidente e quatro vices, para definir, em detalhes, as condições de
acesso para novos membros.
S: As informações que temos é que
o Novo Banco de Desenvolvimento admitirá, como o senhor diz, novos membros,
desde que eles tragam recursos para o banco. Procede esta informação?
PNBJ: Diferente do modelo que a China criou,
liderado pela China, o AIIB, que terá sede em Pequim, o banco estabelecido
pelos BRICS, inicialmente é um banco que trabalha com os cinco membros
fundadores. O tratado que constituiu o Novo Banco de Desenvolvimento foi
assinado em Fortaleza, em julho do ano passado. Este tratado foi negociado
entre os cinco membros fundadores do novo banco. O outro banco de financiamento
de infraestrutura para a Ásia seguiu o modelo de abrir a negociação do próprio
estatuto, do próprio convênio constitutivo, para outros países, inclusive fora
da Ásia. Então, o processo é diferente, mas os dois tem um ponto em comum: os
dois bancos pretendem atrair membros de outros países. Para ser membro de uma
instituição, o país precisa aportar recursos. Agora as condições, os
montantes, isso vai depender de uma negociação entre os membros fundadores, mas
também da negociação específica com cada país que queira considera entrar no
banco a partir do ano que vem.
| Poderosa união. |
Sputnik: Ou seja, não haverá uma
generalização, será estudado caso a caso.
PNBJ: Haverá regras gerais. Já existem, na
verdade, alguns princípios gerais estabelecidos no convênio constitutivo, mas
cada país fará a sua proposta de entrada que será considerada. Evidentemente,
há uma condição natural, que todas as instituições aplicam, que o país que
queira entrar precisa que estar disposto a aderir ao estatuto, ao convênio
constitutivo do Novo Banco de Desenvolvimento que foi negociado entre os cinco
membros fundadores. Não creio que isso seja um grande empecilho, porque o
tratado que foi assinado em Fortaleza se inspirou em grande parte, no essencial,
nos convênios constitutivos de bancos de desenvolvimento já existentes. Nós não
quisemos reinventar a roda e fizemos algo que me parece muito consistente e que
não será estranho a nenhum país que examine os compromissos básicos que
orientam a construção desse novo banco.
S: A Sputnik quer renovar os
cumprimentos pela sua nomeação para o Novo Banco de Desenvolvimento,
popularmente chamado de banco dos BRICS. Como vice-presidente desta
instituição, quais serão suas atribuições específicas?
PNBJ: Num primeiro momento, o que está
acontecendo é a nomeação de um grupo chamado de pré-administração, integrado
pelo presidente designado pela Índia e quatro vice-presidentes designados pelos
outros bancos. Este grupo de cinco pessoas estará trabalhando a partir do
início de julho em Xangai, para detalhar e construir o banco e deixá-lo pronto
para entrar em funcionamento. Alguns passos muito importantes estão sendo
construídos. Por exemplo: agora em junho, o Brasil conseguiu a ratificação na
Câmara e no Senado do tratado que constitui o banco, tratado que já havia sido
assinado em Fortaleza. E também o tratado que, aliás, estabeleceu o C.R.A., o
Fundo Monetário dos BRICS, também assinado em Fortaleza. Os dois foram
ratificados conjuntamente pela Câmara primeiro e pelo Senado.
S: O Acordo Contingente de
Reservas?
PNBJ: Isso. A Rússia e a Índia já ratificaram
o banco. A China está prestes a ratificar. E nós recebemos indicações que a
África do Sul também está prestes a ratificar. Então chegando ao final deste
mês, se tudo correr bem e não houver nenhum imprevisto, os cinco países terão
ratificado. E ao mesmo tempo, nos últimos meses, foram estabelecidas regras de
funcionamento desse grupo de pré-administração que vai trabalhar em Xangai
mesmo antes da entrada em operação do banco para justamente permitir que o
banco entre em operação. Acho que foi uma ideia válida que se inspira também
nas experiências de outros bancos que foram constituídos há mais tempo. Por
exemplo, o banco europeu de reconstrução e desenvolvimento. Para maior
segurança do banco, da instituição que vai entrar em operação, é importante que
mesmo antes da sua entrada em operação, a futura administração do banco, ou
seja, no nosso caso o presidente e os quatro vices, estejam trabalhando já na
futura sede, para garantir que quando o banco entrar formalmente em operações,
abrir as portas para funcionamento, que esteja realmente preparado em
todos os detalhes essenciais.
Agora nós estamos entrando no campo da
definição operacional, dos regulamentos, das regras de procedimentos para que o
banco possa operar, fazer funcionar. Mas não é só isso. Também esse grupo de
cinco pessoas, do qual eu tenho a honra de ter sido convidado a participar,
também vai ajudar a definir a estratégia do banco. Nós vamos pegar os documentos
que foram preparados pela diretoria interina, que é, aliás, comandada pelo
Brasil, vamos fazer uma proposta em cima disso, submeter à diretoria e submeter
ao conselho de governadores. É importante explicar a estrutura de
funcionamento, como esse banco foi desenhado. Os cinco países fundadores se
farão representar no banco e no nível mais alto pelos governadores que serão
designados pelos governos em nível ministerial. E esses governadores, uma vez
designados, irão designar os diretores. Por enquanto, nós temos uma diretoria
provisória dos cinco países, funcionando desde Brisbane, desde aquele encontro
dos líderes dos BRICS na Austrália, que aconteceu à margem do encontro dos
países do G20.
O Brasil, por exemplo, terá um ministro, e a
presidenta Dilma (Rousseff) o designará como governador e esse ministro
designará um diretor. Estas pessoas são as responsáveis por representar o
Brasil no Novo Banco de Desenvolvimento. Cada um dos sócios fundadores se
reservou o direito, no estatuto, no convênio constitutivo, de designar um
membro da alta administração do banco e por acordo também se chegou à conclusão
de que haveria uma rotação com a Índia ocupando a primeira presidência e,
depois de cinco anos, o Brasil será o segundo a designar um presidente. Uma sutileza
jurídica e política importante: a
administração não tem a função de representar os países. A alta
administração do banco – o presidente e os vices – são responsáveis e devem sua
lealdade exclusiva, pelo próprio tratado, ao banco, com a instituição que irá
se constituir. O presidente do banco, em conjunto com os vices, toma
as decisões tendo em vista o
interesse da instituição e reportam às entidades políticas que representam os
países – o conselho de governadores e o conselho de diretores.
S: Cada presidente tem mandato de
cinco anos?
PNBJ: Na verdade, os primeiros
vice-presidentes terão mandatos de seis anos para evitar que todos deixem o
cargo simultaneamente com o presidente, gerando uma descontinuidade. Mas
basicamente, a partir da primeira rodada, serão períodos de cinco anos. Isto
que eu descrevi não é estranho, não é muito diferente da governança que existe
em outros bancos de desenvolvimento, as entidades de Bretton Woods,
inclusive o Fundo Monetário. Nesse sentido, não é uma inovação, mas eu procurei
agora te explicar rapidamente porque eu noto, pelo meu período aqui no Fundo,
que eu fui mal compreendido.
S: Veja se eu estou concluindo
corretamente: primeiro presidente terá o mandato de cinco anos. Significa que
em 2021 o presidente do Novo Banco de Desenvolvimento será o senhor?
PBNJ: Não, não, não. Por acordo, será um
brasileiro, mas não há nenhuma determinação de que a pessoa designada para vice
vá continuar numa outra condição no banco. Não, de forma alguma. Isto será
decidido daqui a cinco, seis anos e até lá muita água vai rolar.
S: O fato de assumir a
vice-presidência do Novo Banco de Desenvolvimento obrigará o senhor a deixar o
Fundo Monetário Internacional, instituição em que o senhor representou o Brasil
e mais dez países, a saber: Cabo Verde, República Dominicana, Equador, Guiana,
Haiti, Nicarágua, Panamá, Suriname, Timor Leste e Trinidade e Tobago. Por
quanto tempo o senhor exerceu essas funções e que avaliação faz do seu
desempenho no FMI?
S: Eu sou diretor do Fundo há mais de oito
anos. Cheguei em abril de 2007 e não esperava ficar tanto tempo. Acho que foi
uma experiência muito boa. Acabei ficando muito mais do que eu pretendia
inicialmente, em parte, porque a crise internacional que estourou nos países
desenvolvidos – EUA e Europa em 2008 –tornou o trabalho no Fundo muito mais
interessante do que era antes. Colocou o Fundo no centro da crise, da
administração da crise, e isso foi uma experiência muito rica, não só por isso,
mas por várias outras razões. Por exemplo: a representação de um grupo de 11
países, inclusive países da América Latina, do Caribe, um da África, um da
Ásia, foi muito rica. Eu aprendi muito sobre outros continentes, sobre a nossa
região, latino americana, sobre o Caribe, acho uma experiência muito boa que me
ajudará um pouco a trabalhar nesse banco em Xangai, que é um banco que pretende
ser global.
Então eu diria que não foi fácil, também,
porque aqui em Washington, há
muita inércia, há muita resistência a mudanças, mas a crise abalou
convicções, abalou certezas dos americanos, os europeus aqueles que têm mais
influência nas entidades aqui de Bretton Woods e isso favoreceu, pelo menos
durante um certo período, favoreceu algumas mudanças importantes. Entretanto,
num período mais recente, houve uma frustração: a frustração da falta de
progresso convincente na reforma da governança do FMI. Não é por acaso, embora
os países do BRICS valorizem o FMI, valorizem o Banco Mundial, que eles estão
se dando ao trabalho de criarem novas instituições, o Novo Banco de
Desenvolvimento, o Acordo Contingente de Reservas, essas entidades que a China
lidera, AIIB. Nada disso teria acontecido, não nessa medida, vamos dizer assim,
se as entidades de Bretton Woods, o FMI e o Banco Mundial tivessem
mostrando uma capacidade de
adaptação maior à realidade do mundo no século 21.
Na medida em que o Fundo Monetário e o Banco
Mundial se apegaram demais ao século XX, eles vão correndo riscos crescentes de
serem ultrapassados pelos acontecimentos. Mas este é um lado. Um outro lado,
que é também muito verdadeiro, é o seguinte: estas entidades que estão sendo
estabelecidas pelos BRICS, o Acordo Contingente de Reservas e o Novo Banco de
Desenvolvimento, não estão
sendo criadas contra ninguém. Ao contrário, elas estão expressamente
negociadas para poder cooperar, se conveniente, atuar em conjunto, se possível,
com as entidades existentes. Eu vejo muito bem, por exemplo, que o Novo
Banco de Desenvolvimento poderá, num futuro não muito distante, estabelecer
mecanismos até formais de cooperação com o Banco Mundial, com o banco asiático
de desenvolvimento, com o BNDES, por exemplo, já conversei a respeito com o
Luciano Coutinho, presidente do BNDES, em caráter preliminar.
Eu vou te dar uma notícia que deve ser
pública já, mas também não é secreta: o presidente do banco e os
vice-presidentes do Novo Banco de Desenvolvimento vão se encontrar, foram
convidados a participar da reunião de bancos de desenvolvimentos dos BRICS em
Ufa, à margem da cúpula que será sediada pela Rússia, dias 9 e 10 de julho.
Haverá uma reunião nossa com os cinco bancos de desenvolvimento dos BRICS que é
uma oportunidade extraordinária para começar a conversar sobre como é que nós
vamos aprender com a experiência do BNDES, do Banco de Desenvolvimento da
China, com o Banco de Desenvolvimento da Rússia e como vamos cooperar. Aliás,
algo que será facilitado pelo fato de que a Rússia escolheu, como
vice-presidente, um executivo de grande experiência que está neste momento no
Banco de Desenvolvimento da Rússia. Então, nós teremos um colega no nosso time
que estará saindo do equivalente ao BNDES brasileiro.
S: O senhor tem falado, ao longo
desta entrevista, da importância da China e, como o senhor disse no início, o
Novo Banco de Desenvolvimento terá sede em Xangai, na China, o país que já
sedia o AIIB – sigla em inglês para Banco de Investimento e Infraestrutura da
Ásia e um banco mais antigo, o Banco de Desenvolvimento da Ásia. O fato de
sediar três grandes instituições financeiras de porte internacional revela que
a China se transformou na grande pujança econômica do século 21?
PNBJ: Não sei se colocaria dessa maneira
exatamente, mas indubitavelmente a China é o país que cresce mais, juntamente
com a Índia e, pelo seu tamanho, tamanho da sua economia, população, área, é
hoje o país que mais pesa no contexto asiático, mundial, fora os EUA. Então, a
China é uma potência econômica e política e, dentro dos BRICS, é o país de
maior porte, evidentemente, e que mais poder de fogo tem em termos de dinheiro,
“bala na agulha”, tem muita munição, tanto que é capaz não só de participar
ativamente como tem participado desde o início da negociação do nosso banco,
que ela sedia, mas, posteriormente à Fortaleza, iniciou um outro banco de
financiamento de infraestrutura, AIIB, com sede em Pequim, que terá um capital
autorizado do mesmo tamanho do nosso, daquele sediado em Xangai. É o único país
dos BRICS que tem condições de ter iniciativas simultâneas tão grandes. Um
ponto no qual o Brasil insistiu muito nas negociações que culminaram em
Fortaleza é que esse banco nosso tivesse uma igualdade na distribuição do poder
de voto entre os cinco países membros. Então, os
cinco tem a mesma participação no capital e no poder de voto.
S: No capital, cada um contribui
com US$ 10 bilhões, para um capital subscrito de US$ 50 bilhões e outros US$ 50
bilhões divididos equitativamente.
PNBJ: Exato. É um capital de 50 bilhões
subscrito, ele será dividido igualmente em cinco partes de US$ 10 bilhões que
serão integralizados ao longo de sete anos.
S: Os senhores do banco também
administrarão o Acordo Contingente de Reservas?
PNBJ: Não. Esses dois acordos foram
negociados simultaneamente no mesmo período e foram assinados os dois em
Fortaleza, mas eles são entidades separadas. É claro podem também cooperar, não
há dúvida, mas um é um fundo monetário e o outro é um banco de desenvolvimento,
são entidades com fins distintos, com propósitos distintos que têm, entretanto,
um ponto comum: elas foram criadas pelos mesmos cinco membros fundadores.
S: Aí no caso do acordo já entra
a diferença na composição do capital de US$ 100 bilhões. A China é a maior
contribuinte com US$ 41 bilhões, Rússia, Índia e Brasil cada um contribui com
US$ 18 bilhões e à África do Sul competem os restantes US$ 5 bilhões.
PNBJ: É verdade. Mas na verdade o acordo
contingente de reservas não tem um capital propriamente. Ele é um fundo de
compartilhamento de reservas que tem um caráter virtual, ou seja,
as reservas continuam depositadas nos cinco bancos centrais até o momento
em que, obedecidas certas regras e condições que o tratado especifica, até que
elas sejam requisitadas por um dos cinco membros para apoiar o seu balanço de
pagamentos. Então são reservas virtuais. Esse acordo foi desenhado de tal
maneira que apesar de a China entrar com 41, ela não tem a maioria, sozinha,
nas decisões que são tomadas por votos e quase todas as decisões são
tomadas por consenso no caso do Acordo Contingente de Reservas. Então, o
desequilíbrio de poder decisório é menor do que sugerem esses números que você
corretamente lembrou.
| Gastou, adeus! |
S: Em sua recente visita ao
Brasil, no mês de maio, a diretora geral do Fundo Monetário Internacional, a
francesa Christine Lagarde, elogiou as medidas de ajuste da economia
nacional postas em prática pela presidenta Dilma Rousseff e pelo ministro da
Fazenda Joaquim Levy. Na sua opinião, estas medidas são as necessárias
para recolocar a economia nacional no rumo do crescimento e do progresso?
PNBJ: O Brasil está fazendo um esforço agora
de ajuste fiscal, que é necessário porque é sempre importante manter a
sustentabilidade das contas públicas. Não se pode descuidar nunca deste
aspecto. Às vezes, há conjunturas em que o controle é menos adequado. Eu acho
que em 2014, em particular, foi um ano em que talvez tenha faltado maior
controle, maior consistência da política fiscal. Então, agora o país está
retomando uma trajetória que já vinha de antes, que já vinha dos governos
anteriores, inclusive do próprio governo Dilma. Não esquecer que o primeiro ano
do governo Dilma, em 2011, foi um ano de forte ajustamento fiscal. Há um pouco
de ciclo político. Todos os países, então os períodos pós-eleitorais são
períodos, vamos dizer assim, de ajustamento, de correção de rumo, mas eu diria
que o que está acontecendo hoje no Brasil é uma freada de arrumação, mas o
samba-enredo não mudou, ou seja, há uma estratégia que vem do período Lula e
que na verdade, se você adotar uma postura um pouco mais isenta, é uma
estratégia nacional que antecede também o período Lula, que é a construção de
um grande país que é o Brasil.
E esse grande país tem que se desenvolver,
tem que investir, tem que ter uma atuação internacional forte, mas não pode
descuidar de sua retaguarda. O que eu estou chamando de retaguarda é a solidez das contas públicas,
cuidado na condução da política monetária e controle da inflação, por
exemplo. Então, o país vai avançar, está lançando projeto de infraestrutura,
está construindo junto com outros BRICS um banco de desenvolvimento, um fundo
monetário, mas não pode deixar de fazer o básico, e nunca houve dúvida sobre
isso, acredito. Esse básico é a solidez das contas públicas, a administração
correta da política monetária e o controle da inflação, entre outras coisas.