Amigos e amigas.
Tanto se diz sobre transgênicos, principalmente de sua nocividade (apesar do atual presidente da Nestlè, que quer monopolizar a água do mundo, dizer que não há perigo). Nesse disse-me-disse, surge um abaixo assinado de centenas de cientistas execrando o cultivo e consumo de alimentos transgênicos.
É um pouco extenso, mas é imperativo que vocês o conheçam. Vejam só os motivos 100% idôneos e imparciais deles e gritem contra mais essa obra dos malignos.
FAB29
| O mapa mundial da perdição alimentar |
Nós,
cientistas abaixo-assinados, pedimos a suspensão imediata de todas as licenças
ambientais para cultivos transgênicos e produtos derivados dos mesmos, tanto
comercialmente como em testes em campo aberto, durante ao menos cinco anos; as
patentes dos organismos vivos, dos processos, das sementes, das linhas de
células e genes devem ser revogadas e proibidas; e exige-se uma pesquisa
pública exaustiva sobre o futuro da agricultura e a segurança alimentar para
todos.
As patentes
de formas de vida e processos vivos deveriam ser proibidas porque ameaçam a
segurança alimentar, promovem a biopirataria dos conhecimentos indígenas e dos
recursos genéticos, violam os direitos humanos básicos e a dignidade, o
compromisso da saúde, impedem a pesquisa médica e científica e são contra o
bem-estar dos animais.
Os cultivos
transgênicos não oferecem benefícios para os agricultores ou os consumidores.
Em vez disso, trazem consigo muitos problemas que foram identificados e que
incluem o aumento do uso de herbicidas, o desempenho errático e baixos
rendimentos econômicos para os agricultores. Os cultivos transgênicos também
intensificam o monopólio corporativo sobre os alimentos, o que está levando os
agricultores familiares à miséria e impedindo a passagem para uma agricultura
sustentável que garanta a segurança alimentar e a saúde no mundo.
Os perigos
dos transgênicos para a biodiversidade e a saúde humana e animal são agora
reconhecidos por várias fontes dentro dos Governos do Reino Unido e dos Estados
Unidos. Consequências especialmente graves se associam ao potencial de
transferência horizontal de genes. Estes incluem a difusão de genes marcadores
de resistência a antibióticos a ponto de tornarem doenças infecciosas
incuráveis, a criação de novos vírus e bactérias que causam doenças e mutações
danosas que podem provocar o câncer.
No Protocolo
de Biossegurança de Cartagena negociado em Montreal em janeiro de 2000, mais de
120 governos se comprometeram a aplicar o princípio da precaução e garantir que
as legislações de biossegurança em nível nacional e internacional tenham
prioridade sobre os acordos comerciais e financeiros da Organização Mundial do
Comércio.
Sucessivos
estudos documentaram a produtividade e os benefícios sociais e ambientais da
agricultura ecológica e familiar, de baixos insumos e completamente
sustentável. Ela oferece a única forma para restaurar as terras agrícolas
degradadas pelas práticas agronômicas convencionais e possibilita a autonomia
dos pequenos agricultores familiares para combater a pobreza e a fome.
Instamos o
Congresso dos Estados Unidos a proibir os cultivos transgênicos, já que são
perigosos e contrários aos interesses da agricultura familiar; e a apoiar a
pesquisa e o desenvolvimento de métodos de agricultura sustentável que podem
realmente beneficiar as famílias de agricultores em todo o mundo.
1. As
patentes de formas de vida e de processos vivos deveriam ser proibidas porque
ameaçam a segurança alimentar, promovem a biopirataria dos conhecimentos
indígenas e os recursos genéticos, violam os direitos humanos básicos e a
dignidade, o compromisso com a saúde, impedem a pesquisa médica e científica e
são contrários ao bem-estar dos animais. As formas de vida, tais como
organismos, sementes, linhas celulares e os genes, são descobertas e, portanto,
não são patenteáveis. As atuais técnicas GM, que exploram os processos vivos,
não são confiáveis; são incontroláveis e imprevisíveis e não podem ser
consideradas como invenções. Além disso, estas técnicas são inerentemente
inseguras, assim como muitos organismos e produtos transgênicos.

2. Cada vez
está mais claro que os atuais cultivos transgênicos não são nem necessários, nem
benéficos. São uma perigosa distração que impede a mudança essencial para práticas
agrícolas sustentáveis que podem proporcionar a segurança alimentar e a saúde
em todo o mundo.
3. Duas
características simples contam para os quase 40 milhões de hectares de cultivos
transgênicos plantados em 1999. A maioria (71%) é tolerante a herbicidas de
amplo espectro, desenvolvidos, por sua vez, para serem tolerantes à sua própria
marca de herbicida, ao passo que o resto é projetado com as toxinas Bt para
matar pragas de insetos. Uma estatística baseada em 8.200 testes de campo do
cultivo transgênico mais popular, a soja, revelou que a soja transgênica rende
6,7% menos e requer duas a cinco vezes mais herbicidas que as variedades não
modificadas geneticamente. Isso foi confirmado por um estudo mais recente
realizado na Universidade de Nebraska. No entanto, foram identificados
outros problemas, tais como: o desempenho errático, suscetibilidade a doenças, o aborto de frutas e baixos rendimentos econômicos para os
agricultores.
| Agricultura familiar: perfeita solução |
4. De acordo
com o programa para a alimentação da ONU, há alimentos suficientes para
alimentar o mundo uma vez e meia. Enquanto a população cresceu 90% nos últimos
40 anos, a quantidade de alimentos per capita aumentou em 25% e, assim mesmo, um
bilhão de pessoas passam fome. Um novo relatório da FAO confirma que há
alimentos suficientes ou mais que suficientes para satisfazer as demandas
globais sem levar em conta qualquer melhora no rendimento proporcionado pelos
transgênicos até 2030. É por conta do crescente monopólio empresarial, que
opera sob a economia globalizada, que os pobres são cada vez mais pobres e
passam mais fome. Os agricultores familiares de todo o mundo foram levados
à miséria e ao suicídio e pelas mesmas razões. Entre 1993 e 1997, o número de
propriedades de tamanho médio nos Estados Unidos reduziu-se em 74.440 e
os agricultores recebem menos do custo médio da produção por seus produtos. A população agrícola na França e na Alemanha diminuiu em 50% desde 1978. No Reino Unido, 20.000 empregos agrícolas sumiram no último ano e o
primeiro Ministro anunciou um pacote de ajuda de 200 milhões de libras. Quatro empresas controlam 85% do comércio mundial de cereais no final de 1999. As fusões e aquisições continuam.
5. As novas
patentes de sementes intensificam o monopólio empresarial mediante a proibição
dos agricultores de guardarem e replantarem as sementes, o que a maioria dos
agricultores continua a fazer no Terceiro Mundo. A fim de proteger suas
patentes, as empresas continuam desenvolvendo tecnologias terminator para que
as sementes colhidas não germinem, apesar da oposição mundial dos agricultores
e da sociedade civil em geral.
6. A
Christian Aid, uma importante organização de caridade que trabalha no Terceiro
Mundo, chegou à conclusão de que os cultivos transgênicos provocam desemprego,
agravam a dívida do Terceiro Mundo e são uma ameaça para os sistemas agrícolas
sustentáveis, além de prejudicar o meio ambiente. Os governos africanos
condenaram a afirmação da Monsanto de que os transgênicos são necessários para
alimentar os famintos do mundo: “Nós nos opomos firmemente (…) ao fato de que a
imagem dos pobres e famintos dos nossos países esteja sendo utilizada pelas
grandes empresas multinacionais para desenvolver tecnologia que não é segura
nem para o meio ambiente, nem economicamente benéfica para nós (…) Nós acreditamos
que vai destruir a diversidade, o conhecimento local e os sistemas agrícolas
sustentáveis que nossos agricultores desenvolveram durante milhares de anos e (…) minar a nossa capacidade de nos alimentar”. Uma mensagem do Movimento
Camponês das Filipinas dirigida à Organização para a Cooperação e o
Desenvolvimento Econômico (OCDE) dos países industrializados, declarou: “A
entrada dos organismos geneticamente modificados seguramente intensificará a
falta de terras, a fome e a injustiça”.
7. Uma
coalizão de grupos de agricultores familiares dos Estados Unidos divulgou uma
lista completa das suas exigências, entre as quais estão a proibição da
propriedade de todas as formas de vida; a suspensão das vendas, licenças
ambientais e outras aprovações de cultivos transgênicos e dos produtos
derivados, pendentes de uma avaliação independente e exaustiva dos impactos
ambientais, da saúde e econômico-sociais; e que se obrigue as empresas a se
responsabilizarem por todos os danos e prejuízos derivados de seus cultivos
geneticamente modificados e produtos para o gado, sobre os seres humanos e o
meio ambiente. Também exigem uma moratória de todas as fusões e aquisições
de empresas, do fechamento da granja e o fim das políticas que servem aos
grandes interesses agroindustriais à custa dos agricultores familiares, dos
contribuintes e do meio ambiente. Eles montaram uma ação judicial contra a
Monsanto e outras nove empresas por práticas monopólicas e por impingir os
cultivos transgênicos sobre os agricultores sem avaliações de segurança e de
impacto ambiental adequadas.
8. Alguns
dos perigos dos cultivos transgênicos são reconhecidos abertamente pelos
Governos do Reino Unido e dos Estados Unidos. O Ministério da Agricultura, Pesca
e Alimentação do Reino Unido admitiu que a transferência dos cultivos
transgênicos e o pólen para além dos campos plantados é inevitável e isso
já deu lugar a ervas daninhas resistentes aos herbicidas. Um relatório
provisório sobre os testes de campo patrocinados pelo Governo do Reino Unido
confirmou a hibridação entre propriedades adjacentes de diferentes variedades
de colza tolerante aos herbicidas modificados geneticamente, o que deu lugar a
híbridos tolerantes a múltiplos herbicidas. Além disso, a colza transgênica e
seus híbridos foram encontrados como praga nos cultivos de trigo e cevada
posteriores, que estavam sendo controlados com herbicidas convencionais. Pragas de insetos resistentes ao Bt evoluíram em resposta à contínua presença
das toxinas nas plantas transgênicas durante todo o ciclo de cultivo e a Agência
de Proteção do Meio Ambiente dos Estados Unidos está recomendando aos
agricultores para que plantem até 40% de cultivos não geneticamente modificados
com a finalidade de criar refúgios para não pragas de insetos resistentes.
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| Duplicou em seis anos! |
9. As
ameaças à diversidade biológica dos principais cultivos transgênicos já
comercializados são cada vez mais claras. Os herbicidas de amplo espectro utilizados
com os cultivos transgênicos tolerantes a herbicidas não apenas dizimam
espécies de plantas silvestres de forma indiscriminada, mas também são tóxicos
para os animais. O glufosinato provoca defeitos congênitos em mamíferos e
o glifosato está ligado ao linfoma de Hodgkin. Os cultivos transgênicos
Bt-toxinas matam insetos benéficos, como as abelhas e os crisopídios e
o pólen do milho Bt é letal para as borboletas monarca, assim como para os
papiliônidos. A Toxina Bt é exalada das raízes do milho Bt na rizosfera,
onde se une rapidamente às partículas do solo e se converte em parte do mesmo.
À medida que a toxina está presente de forma ativada, não seletiva, espécies
objetivas e não objetivas no solo se verão afetadas, causando um enorme
impacto sobre todas as espécies acima do solo.
10. Os
produtos resultantes dos organismos geneticamente modificados também podem ser
perigosos. Por exemplo, um lote de triptofano produzido por microrganismos
geneticamente modificados está associado a pelo menos 37 mortes e 1.500 doenças
graves. Um hormônio geneticamente modificado de crescimento bovino, que é
injetado em vacas com a finalidade de aumentar a produção de leite, não provoca
apenas o sofrimento excessivo e doenças nas vacas, mas também aumenta o IGF-1
no leite, que está vinculado ao câncer de mama e da próstata em seres humanos. É vital para o público ser protegido de todos os produtos transgênicos e
não apenas os que contêm DNA transgênico ou proteína. Isso porque o próprio
processo de modificação genética, pelo menos na forma praticada atualmente, é
inerentemente perigoso.
11.
Memorandos secretos da Administração dos Alimentos e Medicamentos dos Estados
Unidos revelaram que foram ignoradas as advertências dos seus próprios
cientistas de que a engenharia genética é um novo ponto de partida e introduz
novos riscos. Além disso, o primeiro cultivo transgênico liberado para sua
comercialização – o tomate Flavr Savr – não passou nos testes toxicológicos
requeridos. Desde então, nenhum teste de segurança científica abrangente
havia sido feito até que o Dr. Arpad Pusztai e seus colaboradores no Reino
Unido levantaram sérias preocupações sobre a segurança das batatas GM que eles
estavam testando. Eles chegaram à conclusão de que uma parte significativa do
efeito tóxico pode ser devido à transformação genética ou ao processo utilizado
na fabricação das plantas geneticamente modificadas ou ambos.
12. A
segurança dos alimentos transgênicos foi abertamente contestada pelo professor
Bevan Moseley, geneticista molecular e atual presidente do Grupo de Trabalho
sobre Novos Alimentos no Comitê Científico da União Europeia sobre a
Alimentação. Ele chamou a atenção sobre os efeitos imprevistos inerentes à
tecnologia, enfatizando que a próxima geração dos alimentos geneticamente
modificados – os chamados ‘nutracêuticos’ ou ‘alimentos funcionais’, como a
vitamina A ‘enriquecida’ do arroz – ira representar riscos ainda maiores para a
saúde devido ao aumento da complexidade das construções de genes.
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| Sórdidas adulterações |
13. A
engenharia genética introduz novos genes e novas combinações de material
genético construído em laboratório nos cultivos, no gado e nos microrganismos. As construções artificiais são derivadas do material genético de vírus
patógenos e outros parasitas genéticos, assim como bactérias e outros
organismos e incluem códigos genéticos para resistir aos antibióticos. As
construções estão projetadas para quebrar as barreiras das espécies e para
superar os mecanismos que impedem de inseri-lo em genomas de material genético
estranho. A maioria deles nunca existiu na natureza ao longo de bilhões de anos
de evolução.
14. Estes
construtos são introduzidos nas células por métodos invasivos que levam a
inserção aleatória dos genes estranhos aos genomas (a totalidade de todo o
material genético de uma célula ou organismo). Isto dá lugar a efeitos
aleatórios imprevisíveis, incluindo anormalidades em animais e em toxinas e
alérgenos inesperados em cultivos alimentares.
15. Uma
construção comum a praticamente todos os cultivos transgênicos já
comercializados ou submetidos a testes de campo envolve um interruptor de gene
(promotor) do vírus mosaico da couve-flor (CaMV) emendado ao gene estranho
(transgene) para torná-lo sobre-expresso de forma contínua. Este promotor
CaMV está ativo em todas as plantas, em leveduras, algas e no E.coli.
Recentemente descobrimos que é ainda está ativo no ovo de anfíbio e no
extrato de células humanas. Ele tem uma estrutura modular e pode ser intercambiado,
em parte ou na sua totalidade, com os promotores de outros vírus para dar aos
vírus infecciosos. Ele também tem um “ponto quente de recombinação”, assim que
é propenso a romper-se e unir-se a outro material genético.
16. Por
estas e outras razões, o DNA transgênico – a totalidade das construções
artificiais transferidas para o OGM – pode ser mais instável e propenso a
transferir-se novamente para espécies não relacionadas; potencialmente, para
todas as espécies que interagem com o OGM.
17. A
instabilidade do DNA transgênico em plantas geneticamente modificadas é bem
conhecida. Genes transgênicos são, muitas vezes, silenciados, mas a perda
de parte ou da totalidade do DNA transgênico também ocorre, inclusive nas
gerações posteriores de propagação. Estamos cientes de nenhuma evidência
publicada para a estabilidade a longo prazo de inserções transgênicas em termos
de estrutura ou localização no genoma da planta em qualquer das linhas de
transgênicos já comercializados ou testados em campo.
18. Os
perigos potenciais da transferência horizontal de genes de GM incluem a
propagação de genes resistentes a antibióticos aos patógenos, a geração de
novos vírus e bactérias que causam a doença e as mutações devido à inserção
aleatória de DNA estranho, alguns dos quais podem provocar o câncer em células
de mamíferos. A capacidade do promotor CaMV para funcionar em todas as
espécies, incluindo os seres humanos, é particularmente relevante para os
perigos potenciais da transferência horizontal de genes.
| Horrores de aberrações genéticas |
19. A
possibilidade de o DNA nu ou livre ser absorvido por células de mamíferos é
explicitamente mencionado pela Administração dos Alimentos e Medicamentos (FDA),
dos Estados Unidos, em um projeto de orientação à indústria sobre os genes
marcadores de resistência a antibióticos. Em seus comentários sobre o
documento da FDA, o Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação do Reino
Unido assinalou que o DNA transgênico pode ser transferido não apenas por
ingestão, mas pelo contato com a poeira e o pólen de plantas transmitidas pelo
ar durante o trabalho agrícola e o processamento de alimentos. Esta
advertência é ainda mais significativa com o recente relatório da Universidade
de Jena, na Alemanha, segundo o qual os testes de campo indicaram que genes
transgênicos podem ser transferidos via pólen transgênico para as bactérias e
leveduras no intestino das larvas das abelhas.
20. O DNA da
planta não se degrada facilmente durante a maior parte do processamento
comercial de alimentos. Procedimentos como a moagem e o trituramento de
grãos deixaram o DNA em grande parte intacto, assim como o tratamento térmico
em 90ºC. O processo da silagem mostrou pouca degradação do DNA e um
relatório especial do Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação do Reino
Unido desaconselha o uso de plantas geneticamente modificadas ou de resíduos
vegetais na alimentação animal.
21. A boca
humana contém bactérias que se mostraram capazes de assumir e expressar DNA nu
que contém genes de resistência a antibióticos e bactérias transformáveis
similares estão presentes nas vias respiratórias.
22.
Verificou-se a transferência horizontal de genes marcadores de resistência aos
antibióticos de plantas GM bactérias e fungos do solo no laboratório. O
monitoramento de campo revelou que o DNA da beterraba GM persistiu no solo por
até dois anos após a sua colheita. E há evidências sugerindo que as partes do
ADN transgênico podem ser transferidas horizontalmente para as bactérias do
solo.
23. Pesquisas
recentes na terapia de genes e vacinas de ácidos nucleicos (DNA e RNA) deixam
poucas dúvidas de que os ácidos nucleicos livres/nus podem ser tomados, e, em
alguns casos, incorporados ao genoma de todas as células de mamíferos,
incluindo os dos seres humanos. Os efeitos adversos já observados incluem
choque tóxico agudo, reações imunológicas tardias e reações auto-imunes.
24. A
Associação Médica Britânica, no seu relatório provisório (publicado em maio de
1999), pediu uma moratória por tempo indeterminado nas libertações de OGM à
espera de novas pesquisas sobre novas alergias, sobre a disseminação de genes
resistentes a antibióticos e os efeitos do DNA transgênico.
25. No
Protocolo de Biossegurança de Cartagena negociado com sucesso em Montreal, em
janeiro de 2000, mais de 130 governos concordaram em aplicar o princípio da
precaução, e em garantir que as legislações de biossegurança nos níveis
nacionais e internacionais têm precedência sobre acordos comerciais e
financeiros na OMC. Da mesma forma, os delegados da Conferência da Comissão do
Codex Alimentarius, em Chiba, no Japão, em março de 2000, concordaram em
preparar procedimentos regulamentares rigorosas para os alimentos geneticamente
modificados que incluem avaliação prévia à comercialização, monitoramento de
longo prazo dos impactos sanitários, testes de estabilidade genética, toxinas,
alérgenos e outros efeitos indesejados. O Protocolo de Biossegurança de
Cartagena foi assinado por 68 governos em Nairóbi, em maio de 2000.
26. Pedimos
a todos os governos para tomarem na devida conta as evidências científicas já
substanciais dos riscos reais ou supostos decorrentes da tecnologia GM e muitos
de seus produtos, e impor uma moratória imediata sobre novas licenças
ambientais, incluindo testes em campo aberto, de acordo com o princípio da
precaução, assim como dados científicos sólidos.
| Pequenas propriedades são o caminho |
27. Estudos
sucessivos documentaram a produtividade e a sustentabilidade da agricultura
familiar no Terceiro Mundo, bem como no Norte. Evidências do Norte e do
Sul indicam que pequenas propriedades são mais produtivas, mais eficientes e
contribuem mais para o desenvolvimento econômico do que as grandes fazendas. Os
pequenos agricultores também tendem a cuidar melhor dos recursos naturais, da
conservação da biodiversidade e salvaguardar a sustentabilidade da produção
agrícola. Cuba respondeu à crise econômica provocada pela ruptura do bloco
soviético em 1989 pela conversão de convencional para grande escala, da alta
monocultura de entrada para a pequena agricultura orgânica e semi-orgânica,
dobrando assim a produção de alimentos com a metade da entrada anterior.
28. As
abordagens agroecológicas são uma grande promessa para a agricultura
sustentável nos países em desenvolvimento, combinando o conhecimento agrícola
local e técnicas ajustadas às condições locais com o conhecimento científico
ocidental contemporâneo. Os rendimentos duplicaram e triplicaram e
continuam aumentando. Estima-se que 12,5 milhões de hectares em todo o mundo já
são cultivados com sucesso desta maneira. É ambientalmente saudável e
acessível para os pequenos agricultores. Ela recupera terras agrícolas
marginalizadas pela agricultura intensiva convencional. Ela oferece a única
forma prática de recuperar as terras agrícolas degradadas pelas práticas
agrícolas convencionais. Acima de tudo, ela capacita os pequenos agricultores
familiares para combater a pobreza e a fome.
29. Pedimos
a todos os governos para rejeitarem os transgênicos pela razão de que são
perigosos e contrários a um uso ecologicamente sustentável dos recursos. Em vez
disso, eles devem apoiar a pesquisa e o desenvolvimento de métodos agrícolas
sustentáveis que podem realmente beneficiar os agricultores familiares em todo
o mundo.

