Amigos e amigas.
O texto abaixo, de autoria de Eça de Queiros (portanto, século XIX), é muito conhecido de todos os que têm um mínimo de curiosidade e vontade de sair do mainstream. pesquisando, fuçando, garimpando na imensidão virtual. É uma prova da ancestral influência e dominação judaica no seio dos povos que os acolhiam.
Já naquela época, a repulsa que a empáfia judaica suscitava era exasperante e este grande escritor não se furtou em "descer o malho". Marcante, corajoso e rascante, merece sempre ser relembrado. Aproveitei tais qualidades para fazer o trocadilho do título.
Em tempo: Optei por "modernizar" a ortografia apenas para melhor fluidez na leitura.
FAB29
Em tempo: Optei por "modernizar" a ortografia apenas para melhor fluidez na leitura.
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| "Sobre a nudez forte da realidade, o manto diáfano da fantasia." José Maria Eça de Queiroz |
«Ainda que o Pedro Ermita
desta nova cruzada constitucional seja um sacerdote, o Revd. Streker, capelão
e pregador da corte, é evidente que ela não tira a sua força da paixão
religiosa. As cinco chagas de Jesus nada têm que ver com estas petições que por
toda a parte se assinam, pedindo ao governo que não permita aos judeus
adquirirem propriedades, que não sejam admitidos aos cargos públicos e outras
extravagancias góticas! O motivo do furor
anti-semítico é simplesmente a crescente prosperidade da colônia judaica,
colônia relativamente pequena, apenas composta de 400.000 judeus; mas que, pela
sua atividade, a sua pertinácia, a sua disciplina, está fazendo uma
concorrência triunfante à burguesia alemã.
A alta finança e o pequeno comércio estão-lhe igualmente nas
mãos: é o judeu que empresta aos Estados e aos príncipes e é a ele que o
pequeno proprietário hipoteca as terras. Nas profissões liberais, absorve tudo:
é ele o advogado com mais causas e o médico com mais clientela: se, na mesma
rua, há dois tendeiros - um alemão e outro judeu - o filho da Germania, ao fim do
ano, está falido, o filho d'Israel tem carruagem! Isto tornou-se mais frisante
depois da guerra: e o bom alemão não pode tolerar este espetáculo do judeu
engordando, enriquecendo, reluzindo, enquanto ele, carregado de louros, tem de
emigrar para a America em busca de pão.
Mas se a riqueza do judeu o irrita, a ostentação que o judeu faz
da sua riqueza enlouquece-o de furor. E, neste ponto, devo dizer que o alemão
tem razão. A antiga legenda do israelita, magro, esguio, adunco, caminhando
cosido com a parede e coando por entre as pálpebras um olhar turvo e
desconfiado pertence ao passado. O judeu hoje é um gordo.
Traz a cabeça alta, tem a pança ostentosa e enche a rua. É necessário vê-los em
Londres, em Berlim ou em Viena: nas menores cousas, entrando em um café ou
ocupando uma cadeira no teatro, têm um ar arrogante e ricaço, que
escandaliza. A sua pompa espetaculosa de Salomões parvenús ofende
o nosso gosto contemporâneo, que é sóbrio. Falam sempre alto, como em país vencido e em um restaurante de Londres ou de Berlim, nada há mais intolerável
que a gralhada semítica. Cobrem-se de jóias, todos os arreios das carruagens
são de ouro e amam o luxo grosseiro e vistoso. Tudo isto irrita.
Mas o pior ainda, na Alemanha, é o hábil plano com que fortificam
a sua prosperidade e garantem a sua influência - plano tão hábil que tem um
sabor de conspiração: na Alemanha, o judeu, lentamente, surdamente, tem-se
apoderado das duas grandes forças sociais: a Bolsa e Imprensa. Quase todas as
grandes casas bancárias da Alemanha, quase todos os grandes jornais, estão na
posse do semita. Assim, torna-se inatacável. De modo que não só expulsa o
alemão das profissões liberais, o humilha com a sua opulência rutilante e o
traz dependente pelo capital; mas, injúria suprema, pela voz dos seus jornais,
ordena-lhe o que há-de fazer, o que há-de pensar, como se há-de governar e com
que se há-de bater!
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| Hoje e sempre |
Tudo isto ainda seria suportável se o judeu se fundisse com a
raça indígena. Mas não. O mundo judeu conserva-se isolado, compacto,
inacessível e impenetrável. As muralhas formidáveis do templo de Salomão, que
foram arrasadas, continuam a pôr em torno dele um obstaculo de cidadelas.
Dentro de Berlim, há uma verdadeira Jerusalém inexpugnável: aí, se refugiam com
o seu Deus, o seu livro, os seus costumes, o seu Sabbath, a sua língua, o seu
orgulho, a sua secura, gozando o ouro e desprezando o cristão. Invadem a
sociedade alemã, querem lá brilhar e dominar, mas não permitem que o alemão
meta sequer o bico do sapato dentro da sociedade judaica. Só casam entre si;
entre si, ajudam-se regiamente, dando-se uns aos outros milhões, mas não
favoreceriam com um troco um alemão esfomeado; e põem um orgulho, um coquetismo
insolente em se diferenciar do resto da nação em tudo, desde a maneira de
pensar até a maneira de vestir. Naturalmente, um exclusivismo tão acentuado é
interpretado como hostilidade - e pago com ódio.
Tudo isto, no entanto, é a luta pela existência. O
judeu é o mais forte, o judeu triunfa. O dever do alemão seria exercer o
músculo, aguçar o intelecto, esforçar-se, puxar-se para a frente para ser, por
seu turno, o mais forte. Não o faz: em logar disso, volta-se miseravelmente,
covardemente, para o governo e peticiona, em grandes rolos de papel, que
seja expulso o judeu dos direitos civis, porque o judeu é rico e porque o
judeu é forte.»
- Eça de Queiros, "Cartas de Inglaterra", Livraria
Chardron De Lello e Irmão - Editores, Porto, 1905.
[Este texto jornalístico de Eça comenta uma declaração do Governo
Bismarck, segunda a qual o Governo Alemão afirmava não estar nas suas
perspectivas retirar quaisquer direitos à população judaica.]
