Amigos e amigas.
Não é nenhuma surpresa que o grande capital mundial é pródigo em fomentar dissensões pelo mundo para causar turbulências e facilitar a tomada de posse da economia de cada local. A quebra da bolsa de Nova Iorque ("crack de 29") foi assim. Daí, viram que era um negócio sensacional, virou moda e o mundo até hoje sofre com essas ações.
Abaixo, uma entrevista com o intelectual brasileiro Luiz Alberto Moniz Bandeira em que ele afirma sem peias que esse esquema acima está sendo usado para forçar o impeachment da Dilma. Portanto, não tenham dúvidas de que a coisa vai longe e está longe de ser para o bem do país, onde é tão sordidamente propalado (especialmente pelo boca insossa, sr. FHC) que tudo vai melhorar com a saída da Dilma (exatamente o que o império estadunidense fala sobre a Síria, que só conhecerá a paz com a saída do presidente Bashar al Assad). Meu medo é, se não derem resultado tais investidas, que aqui vire um Oriente Médio.
FAB29
Entrevista de Moniz Bandeira ao site Sputnik-Brasil
| Luiz Alberto Moniz Bandeira |
SB- O objetivo seria quebrar a
economia e comprar as empresas brasileiras a preço de banana?
Moniz- Exatamente, isso é verdade. Eles querem quebrar a economia
brasileira – e é aí que eu vejo mais a ação de Wall Street – e comprar as
empresas, como estão fazendo, a preço de nada, com o real desvalorizado a esse
ponto.
SB- Nós podemos acreditar, então, que o Brasil está
na mira de Wall Street?
Moniz- Está na mira, claro, porque a questão não é só o Brasil, é
internacional, é a luta contra a Rússia e a China, mas eles não podem muito
contra a China. E querem derrubar a Rússia através da Síria e da Ucrânia. São
duas frentes que os Estados Unidos abriram, porque a luta na Síria não é tanto
por democracia, isso é bobagem; os EUA não estão se importando com isso. Eles
querem mudar o regime para tirar a Base Naval de Tartus e também um ponto em
Latakia, ambos da Rússia.
SB- Voltando ao Brasil. O senhor entende que o país voltará a
sofrer assaltos especulativos?
Moniz- É muito complicada a situação aí. Eu não estou certo de nada
a respeito do Brasil, é muito difícil. Porque é muito difícil também dar um golpe
– um golpe civil como eles querem. As Forças Armadas estão contra o golpe. Elas
são um fator de resistência nacionalista no Brasil, assim como o Itamaraty.
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| Poucos exemplos da dominação brutal |
SB- O senhor disse que há órgãos no exterior financiando a grande
mídia no Brasil. A mídia, ao pregar o golpe, facilita a entrada das grandes
corporações internacionais em prejuízo das empresas brasileiras?
Moniz- Claro, sobretudo no setor de construção, que tem sido alvo
principal desse inquérito, que, aliás, é inconstitucional, é tudo ilegal. O
objetivo é destruir as grandes empresas brasileiras, as construtoras que são
fatores de expansão mundial do Brasil, e permitir que entrem no mercado
brasileiro as multinacionais americanas.
SB- O senhor entende que as agências de inteligência dos EUA continuam
a espionar a Presidente Dilma Rousseff e as grandes empresas estatais do país?
Moniz- Claro, nunca deixaram de espionar. Espionam no Brasil e em
todos os países. Se você ler meu livro “Formação do Império Americano”,
publicado há dez anos, você verá como eu mostro isso documentado. Já no tempo
de Clinton faziam isso. Não há novidade nenhuma na atuação dos EUA. Eu estudo
essa questão dos EUA há muitos anos. Acompanhei de perto toda a problemática de
Cuba. Estou com 80 anos, desde os meus 20 anos, eu assisto a isso que eles fazem
na América Latina.
SB- O senhor fala em golpe em curso no Brasil. Qual a sua
impressão, esse golpe pode ir avante?
Moniz- Tanto pode como não pode. As possibilidades são muitas.
Ontem mesmo, o Supremo Tribunal Federal tomou uma medida constitucionalmente
correta, que foi anular essa comissão constituída na Câmara por meio de
manobras. O que existe é uma luta de ratos e ladrões, um bando, uma gangue,
montada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, contra uma mulher honrada e
honesta como a Presidente Dilma Rousseff, com todos os erros que ela possa ter
cometido. Não há motivo legal, nem constitucional para o impeachment.
SB- A Presidente Dilma Rousseff conseguirá superar todas essas
dificuldades políticas e concluir o seu mandato em 31 de dezembro de 2018?
Moniz- É muito difícil avaliar a evolução da situação, porque ela é
ruim internacionalmente. A situação internacional é muito ruim. Eu disse, em
2009, quando recebi o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da
Bahia, que uma potência é muito mais perigosa quando está em decadência do que
quando conquista o seu império, e os EUA são uma potência em decadência. São
muito mais perigosos do que antes.
