Amigos e amigas.
As palavras de Olavo Bilac sobre a língua portuguesa que intitulam o post são ideais para a situação do nosso idioma. Não tenho dúvidas de que mudança é algo absolutamente necessário à vida. Ela evita a estagnação, nos faz melhorar, evoluir, criar, sacudir a poeira e o mofo, abre horizontes,... Enfim, sem ela, sem evolução!
Essencialmente, a mudança nos beneficia, visto que só a fazemos quando temos uma certeza de que será de mais valia ou vai nos livrar de uma situação ruim. As mudanças que acontecem sem aviso podem abalar nossa estrutura em qualquer sentido; são o que se chama de 'acidentes', 'imprevistos', 'tragédias', etc. Mesmo assim, em geral, nos arvoramos naquele ditado popular: "Se a vida lhe deu um limão, faça uma limonada!" Há quem faça uma caipirinha.
As palavras de Olavo Bilac sobre a língua portuguesa que intitulam o post são ideais para a situação do nosso idioma. Não tenho dúvidas de que mudança é algo absolutamente necessário à vida. Ela evita a estagnação, nos faz melhorar, evoluir, criar, sacudir a poeira e o mofo, abre horizontes,... Enfim, sem ela, sem evolução!
Essencialmente, a mudança nos beneficia, visto que só a fazemos quando temos uma certeza de que será de mais valia ou vai nos livrar de uma situação ruim. As mudanças que acontecem sem aviso podem abalar nossa estrutura em qualquer sentido; são o que se chama de 'acidentes', 'imprevistos', 'tragédias', etc. Mesmo assim, em geral, nos arvoramos naquele ditado popular: "Se a vida lhe deu um limão, faça uma limonada!" Há quem faça uma caipirinha.
- Hífen: por que passamos a escrever 'para-brisa', 'para-raio', para-choque' e 'paraquedas'?! Explicam que "'paraquedas' perdeu a noção de composição, por ter deixado de ser entendida em seu sentido literal". Fácil de se compreender?! Uma explicação menos complicada seria: "'paraquedas' apresenta derivativos, como paraquedista e paraquedismo, ao contrário de para-lama, para-raio, etc". Mesmo assim, gravar este detalhe não é moleza! Além destas: 'pé de moleque', 'dia a dia' e 'queda de braço' perderam o hífen porque "são palavras compostas ligadas por preposição". MAS, há exceções: 'água-de-colonia', 'arco-da-velha', pé-de-meia',... Sabem por quê?! NÃO?! Nem eu! E há tantos outros exemplos que é sensato parar por aqui.
- 'Benfeito', 'Bem-feito' e 'Bem feito': O primeiro é substantivo (como 'benefício'): "O aposentado recebeu seu benfeito integralmente."; o segundo, adjetivo: "Que trabalho bem-feito!"; o terceiro, interjeição: "Bem feito pra ela!". Ciente de que muita gente sequer reconhece o verbo numa frase, fico tentando imaginar como estes exemplos explicativos poderiam ajudar, principalmente as crianças até dez anos, que baseiam seu aprendizado na oralidade. Quando forem escrever, pobrezinhos, terão de suar em dobro para aprender!
- Acentuação: Você se lembra o que são ditongos crescentes e decrescentes? Se não, vai ficar muito difícil entender por que 'feiura' e 'baiuca' perderam seus acentos e 'Guaíra', não. E os acentos diferenciais que caíram? 'Pelo' pode ser substantivo, verbo ou uma contração (per + o); 'Para' pode ser verbo ou preposição; 'Polo' pode ser uma contração (por + o), um elemento de composição ou três substantivos diferentes. G-ZUIZ!!
- Trema: Penso que a extinção deste sinal foi o maior crime que cometeram! A partir dessa mudança, como explicar a uma criança que 'linguiça' e 'preguiça' não se pronunciam do mesmo jeito? Assim como: 'aguenta' e 'guerra'; 'frequente' e 'enquete'; 'tranquilo' e 'aquilo' e por aí vai? Será "simples": dirão 'Prestem atenção nas conversas dos adultos!' Ah, sim! É claro! Até parece que, entre os adultos, existe uma maioria de bons exemplos de cultura gramatical, eloquência e prosódia...! Pobres crianças!
| Até a Turma da Mônica tentou ajudar |
O que quero frisar é que as idéias das mudanças
ortográficas foram até interessantes, mas atrapalharam demais e precisam ser
contestadas. Não é exclusividade desta reforma. Lá na reforma dos anos 40, por
exemplo, ficou decidido que "dansa" passaria a ser escrita com “ç”. Motivo? Arbitrário, porque a
palavra original é a francesa "danser". Dois mestres (Antonio Houaiss e Guimarães Rosa) eram contra. Tanto
que Rosa NUNCA escreveu "dança". E ele não era um simples
teimoso; era uma autoridade no assunto. Saibam que, aos 16 anos, ele já era
poliglota (falava 7 idiomas) e estudava a gramática de outros 11 (incluindo
sânscrito e tupi); começou a fazer medicina, formando-se aos 22 e criando uma
obra que se tornou referência na Literatura brasileira. Altas credenciais!
Mas já que estou ponderando, faço uma extrapolação: Por que a prosódia não é determinante na grafia? Talvez assim: toda palavra que tivesse som de "Z", se escreveria com "Z"; se tivesse som de "G", se escreveria com "G"; se tivesse som de "X", se escreveria com "X", etc. Já pensaram? "MAXADO", "GEGUE", "GIBOIA', "CAZA",... Lógico que, para todos os que estão desacostumados a isso (como eu), seria, no mínimo, esquisitíssimo, mas simplificaria enormemente o aprendizado, especialmente às crianças. Até os pais conseguiriam ajudar os filhos em casa antes de entrarem na escola.
Só sei, pessoal, é que uma coisa tão planejada e já executada outras
vezes, sempre por centenas de pessoas de alto nível e capacidade, não
tinha nem o direito de deixar tantas lacunas e dificuldades. Se tantos
problemas assim fossem detectados na estrutura de uma casa, você
moraria nela? Se fossem detectados num restaurante, pizzaria ou
supermercado, você comeria ou compraria lá? Se fossem detectados num carro,
navio ou avião, você viajaria nele? Certamente que não!
Por que, então, somos obrigados a aceitar sem pestanejar tantos
problemas em nosso idioma? É com ele que nos comunicamos, nos
socializamos, nos entendemos, nos divertimos, nos julgamos, negociamos,
aprendemos, ensinamos,... Como fica a formação de uma criança que tem
dificuldades de compreensão e, daí, de interpretação, análise e crítica?
Se ela não souber escrever e se expressar corretamente, além de se
expor a situações chatas ou vexatórias, dificilmente terá as portas dos grandes
empregos abertas para si, tendo que se sujeitar a funções menores
ou a favores para crescer e melhorar de vida.
| Com civilidade, é outra coisa! |
Realmente me dói concluir que tais pequenas
iniquidades ajudam a esmagar uma das coisas mais preciosas da vida: a consciência, que nos faz discernir o bom do ruim, o bem do mal, o prazer
do sofrimento, a segurança da inconsequência, a justiça da ganância, etc.
Perdão, mas lá vou eu de novo crer piamente que isso tudo é mais uma faceta
daquelas "teorias da conspiração" da NOM que assolam a mente dos neurastênicos. Pois não posso crer que não consigamos chegar a
um acordo para criarmos simples regras ortográficas para qualquer um
aprender e nos comunicarmos com propriedade e fluidez. Como disse o poeta: "É coisa dos 'hómi'!"
É dito que "a fome cria escravos perfeitos". Para mim, a ignorância cria zumbis perfeitos. Portanto, o "investimento" que os grandes parasitas fazem nela é sordidamente compreensível. Cada vez mais, as saídas desses labirintos são ocultadas de nós. Cada um deve fazer o possível para não se enredar nessas tramas insidiosamente urdidas e tentar o tempo todo e de todas as maneiras que puder avisar e ajudar o máximo número de pessoas possível.
É o que estou tentando aqui. Boa sorte a todos!
FAB29