Uma entrevista de um professor reformado da USP, o
engenheiro eletrônico Valdemar Setzer, me levou a escrever este artigo abaixo.
Seu posicionamento com relação à permissividade da
educação moderna com relação aos computadores é muito interessante. Ele se posiciona
frontalmente contra a criança e o adolescente ter sua vida incluída nesse mundo
virtual, que nubla sua essência humana e atrapalha de sobremaneira seu
desenvolvimento em todos os sentidos.
EDUCAÇÃO
ROBÓTICA
Muito se discute a respeito da inclusão digital.
Como tudo na vida, há, no mínimo, três lados: o meu, o seu e a Verdade.
É bem sabido que o mundo moderno necessita
imensamente da informática. Não preciso evidenciar todas as facilidades que ela
proporciona, mas preciso evidenciar seu lado nefasto. Afinal, até o amor e o
oxigênio o têm. Vejamos:
Amor tem de ser dosado; em excesso, desvirtua e
pais precisam dar eventuais duras lições a seus filhos para que eles se
doutrinem a respeitar limites e a se precaver com o dito “mundo cão”, que nunca
alivia com ninguém. No caso do oxigênio, ele é imprescindível à vida, mas ele
pode causar os radicais livres que “enferrujam” o corpo, caso este não esteja
bem ajustado, nutrido e vitaminado.
O problema da informática me parece óbvio: ela é
“MUNDO VIRTUAL”! Quando damos às nossas crianças o livre acesso a esse mundo,
ela “deixa de viver”. Viver é ter contato FÍSICO com pessoas: olhar, conversar,
brincar, discutir, abraçar, trocar idéias, aprender, praticar, etc.
Pelo mundo virtual, é muito fácil enganar,
dissimular, desvirtuar, esconder-se, corromper, ser corajoso, etc. Ao
vivo, frente a frente e em cores é extremamente mais difícil. Só se consegue
após anos de prática. Exatamente por isto, as pessoas não “queimam
etapas", podendo amadurecer gradualmente, como a natureza manda.
Além de quê, cada um é cada qual. Quem tem contato
ao vivo com 10 pessoas confiáveis aprende muito mais da vida do que alguém que
tenha contato com 10 mil pessoas via MSN ou qualquer outra rede virtual. É
evidente: com esses amigos, você desenvolve várias coisas na prática:
- AUTOCRÍTICA, quando eles mostram que você está
extrapolando em alguma atitude;
- HUMILDADE, quando você vê que vários deles tem
conhecimentos e qualidades superiores;
- BEM QUERER, quando você se preocupa em encontrar
soluções para diversos problemas deles;
- ESPERTEZA, quando eles tentam lhe “sacanear”, no
bom sentido;
- TOLERÂNCIA, quando seus amigos estão naqueles
dias de “pé-no-saco”;
- PRAZER EM VIVER, quando eles demonstram com
gestos e/ou palavras o quanto você é querido e importante;
- SAÚDE EM TODOS OS SENTIDOS, quando vocês se
exercitam em todos os níveis e situações possíveis. E muitas coisas mais.
Sou a favor da inclusão digital e de se ter salas
de informática nas escolas. Mas as classes à moda antiga são intocáveis, só
precisando ser buriladas em suas atividades. As crianças e adolescentes NÃO
PODEM ser tolhidos disto! Tão importante para o ser humano do que o aprendizado
intelectual, o conhecimento, o raciocínio e a interpretação é a SOCIALIZAÇÃO!
Sabemos que “ninguém é uma ilha” (por mais que
queira e tente) e TODOS que desejam viver em sociedade precisam aprender a
viver nela, a ter limites, a ocupar nosso espaço sem invadir o de ninguém, a se
posicionar de acordo com a situação, etc. E como a escola é uma extensão de
nossa casa, o contato ao vivo e in loco com outras
mentalidades e personalidades é essencial e crucial nesse desenvolvimento e
evolução.
Em
tempo: vocês sabiam que os grandes executivos do Vale do Silício, berço e
quartel general da Microsoft, colocam seus filhos em escolas que NÃO POSSUEM
computadores como parte do material didático? Isso, até a HIGH SCHOOL, o nosso
2º grau! Portanto, eles só terão contato constante com computadores a partir
dos 16 ou 17 anos, quando já terão uma formação mental, moral e psicológica já
bem estabilizada.
Interessante, não ?!
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