Falar deste senhor Ariel Sharon é particularmente espinhoso. Não há tons de cinza.
Enquanto os fundamentalistas sionistas e seus aspones o vêem com brilho
nos olhos, eu só vejo trevas. Nada do que já li sobre ele me causou um mínimo
de simpatia. Fiz uma pesquisa e constatei que não tenho motivo algum para
simpatizar. Sua frieza, fanatismo, crueza, violência, impiedade,... cada
atitude me desalentava ou me enojava. Não deixa nada a dever às atitudes
delegadas aos piores criminosos da História.
Desde 2006, o 'desinfeliz' esteve em coma, vindo a falecer quase 8 anos
depois, em janeiro de 2014. Há quem fale o famoso "Aqui se faz, aqui se paga!" ou em "Justiça Divina". Há muito tempo, venho me desapegando desse espírito revanchista.
Afinal, quem disse que ele agiu sozinho, por pura vontade própria ou que era
ele que mandava em tudo? Corruptores e corruptos são o que não falta na geopolítica do
mundo. Vide Netanyiahu, Macron, Merkel, Bolsonaro,...
Tenham uma ideia de sua personalidade nefasta nesses excertos
abaixo. Alguns são de seus compatriotas.
FAB29
"A história de Sharon nos oferece
um arquivo de corrupção moral, com documentos provando crimes de guerra no
início dos anos 50. (...) A primeira ação militar de Sharon foi em agosto
de 1953 no Campo de Refugiados de El-Bureig, ao sul de Gaza. Um arquivo
israelense da Unidade 101 registra que 50 refugiados foram assassinados; outras
fontes alegam terem sido 15 ou 20. O Major-General Vagn Bennike, comandante das
Nações Unidas, relatou que “bombas foram lançadas” pelos homens de Sharon “através de janelas das cabanas nas quais os refugiados estavam dormindo
e, assim que alguns destes saíam, eram atacados por armas de pequeno porte e
automáticas”.
Em outubro de 1953, ocorreu o ataque da
Unidade 101, comandada por Sharon, a vila jordaniana de Qibya, cuja “mancha”
segundo o Ministro de Relações Exteriores de Israel à época confidenciou ao seu
diário, “estará grudada em nós e impossível de ser lavada por muitos anos”.
Ele estava errado. Posto que vários comentários ainda mais fortemente
pró-israelenses no ocidente o compararam com Lidice (cidade da Tcheco
Eslováquia que dizem ter sido destruída pelos nazistas na 2ª Guerra. N.A.).
Qibya e o papel de Sharon são dificilmente evocados no ocidente hoje, a não ser
por jornalistas como Deborah Sontag, do New York Times, que escreveu recentemente
uma nota 'chapa branca', descrevendo-o como 'corajoso'; ou o
representante do Washington Post em Jerusalém, que ternamente o invocou, após
sua fatal excursão aos locais sagrados em Jerusalém, como o 'grandioso
guerreiro'.
O historiador israelense Avi Shlaim
descreve assim o massacre: “A ordem de Sharon era
para penetrar Qibya, explodir casas e causar grandes danos aos habitantes. O
sucesso obtido pro suas ordens superou todas as expectativas. A completa e
macabra história do que aconteceu em Qibya foi revelada somente durante a manhã
posterior ao ataque. A vila foi reduzida a ruínas: quarenta e cinco casas foram
explodidas e sessenta e nove civis, dois terços mulheres e crianças, foram
mortos. Sharon e seus homens afirmaram que acreditavam que todos os habitantes
haviam fugido e de que não imaginavam que havia pessoas se escondendo dentro
das casas”. (...)
E o que dizer sobre a conduta de Sharon quando esteve na direção do Comando do Sul das Forças de Defesa de Israel no inicio dos anos de 1970? A “passagem” de Gaza foi vivamente descrita por Phil Reeves em um artigo no The London Independent em 21 de janeiro desse ano:
E o que dizer sobre a conduta de Sharon quando esteve na direção do Comando do Sul das Forças de Defesa de Israel no inicio dos anos de 1970? A “passagem” de Gaza foi vivamente descrita por Phil Reeves em um artigo no The London Independent em 21 de janeiro desse ano:
“Eles (soldados de Sharon) vieram pela noite e começaram marcando as casas que queriam demolir com
tinta vermelha”, disse Ibrahim Ghanim, 70, um trabalhador aposentado: “Pela
manhã eles voltaram e ordenaram que todos saíssem. Eu me lembro de todos dos
soldados gritando para as pessoas, Yalla, yalla, yalla, yalla! Eles atiravam os
pertences das pessoas na rua. Então, Sharon trouxe tratores e começaram a
pavimentar a rua. Eles fizeram todo o trabalho praticamente em um dia. E os
soldados batiam nas pessoas, você pode imaginar? Soldados com armas batendo em
pequenas crianças!”
Assim que o trabalho do exercito
israelense terminou, centenas de casas estavam destruídas, não somente na Rua
Wreckage, mas por todo o campo, com cancelas de “segurança” instaladas por
Sharon nas suas vias de segurança. Muitos refugiados se abrigaram em escolas ou
se apertaram nas já lotadas casas de parentes. Outras famílias, geralmente
aquelas com um ativista político palestino, foram colocadas em caminhões e
levadas ao exílio em uma cidade no coração do Deserto de Sinai, controlada por
Israel”. (...)
“Em agosto de 1971 sozinhas, tropas sob o comando do Sr. Sharon destruíram cerca de 2000 casas na Faixa de Gaza desalojando 16.000 pessoas pela segunda vez em suas vidas. Centenas de jovens palestinos foram presos e deportados para a Jordânia e o Líbano. Seiscentos parentes de guerrilheiros suspeitos foram exilados no Sinai. Na segunda metade de 1971, 104 guerrilheiros foram assassinados. 'A polícia naquele tempo não prendia os suspeitos, mas os assassinava', disse Raji Sourani, diretor do Centro Palestino de Direitos Humanos na Cidade de Gaza”. (...)
Como ministro da defesa do segundo
governo de Menachem Begin, Sharon foi o comandante que liderou plenamente o
assalto ao Libano de 1982, com a ordem expressa de destruir a OLP, levando
tantos palestinos quanto fosse possível para a Jordânia e fazendo do Líbano um
estado “cliente” de Israel. Este foi um plano de guerra que custou um
sofrimento incontável (cerca de 20.000 vidas Palestinas e Libanesas), e também
a morte de aproximadamente 1000 soldados israelenses. Os israelenses
bombardearam populações civis à vontade. Sharon também comandou os
terríveis massacres dos campos de refugiados de Sabra e Shatilla. O governo do
Líbano contou 762 corpos descobertos e, mais tarde, 1200 enterrados
privadamente pelos parentes. (...)
O massacre dos dois campos contíguos de
Sabra e Shatilla ocorreu das 18:00h. de 16 de setembro de 1982 até às
08:00h de 18 de setembro de 1982, em uma área sob o controle das Forças de
Defesa de Israel. Os assassinos eram membros da Milícia Phalange, a força
Libanesa que foi armada e intimamente aliada a Israel desde o primeiro ataque
da guerra civil Libanesa em 1975. As vitimas do ataque de 62 horas incluiam bebês,
crianças, mulheres (inclusive grávidas) e idosos, alguns dos quais foram
mutilados e decapitados antes ou depois de serem mortos.
Uma comissão oficial israelense de
inquérito – liderada por Yitzhak Kahan, presidente da Suprema Corte de Israel –
investigou o massacre e, em fevereiro de 1983, publicou suas conclusões (sem
o Apêndice B, que permanece secreto até hoje). (...)
Sharon sempre foi contra qualquer
acordo de paz, a menos que em termos inteiramente impossíveis de aceitação
pelos Palestinos. Assim como Nehemia Strasler assinalou em Ha’aretz em 18 de
janeiro deste ano, em 1979, como membro do gabinete de Begin, ele votou contra
o tratado de paz com o Egito. Em 1985, ele votou contra a retirada das tropas
de Israel da, assim chamada, zona de segurança no Sul do Líbano. Em 1991, ele
se opôs à participação de Israel na Conferencia de Paz de Madri. Em 1993, ele
votou “não” em Knesset no Acordo de Oslo.
No ano seguinte, ele se absteve no
Knesset em uma votação sobre o tratado de paz com a Jordânia. Ele votou contra
o acordo de Hebron em 1997 e se opôs ao meio pelo qual a retirada do sul do
Líbano estava sendo conduzida. Como Ministro da Agricultura de Begin no
final dos anos de 1970, ele estabeleceu muitos dos acordos da Cisjordânia que
são hoje a maior obstrução para qualquer negociação de paz."